segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

.·´¯`·-> O amor é lindo... <-·´¯`·.

        Essa eu vivi dentro de  um ônibus no Rio de Janeiro. Vou escrever o que consigo lembrar. Estava indo de São Gonsalo para a cidade do Rio. Eu, minha sobrinha e nossas mochilas. É... acreditem ou não, no Rio eu virei mochileira.  Íamos muito animadas à uma feira e  apesar do calor fervente que fazia,  pensávamos em rodar um pouco pela cidade, fazer algumas compras e depois parar em algum cafezinho no final da tarde, antes de voltar para casa. 

        Entramos no ônibus,  como a viagem ia ser longa sentamos lá no final. Eu mais à frente e minha sobrinha atrás, no meio da  última fila. Ia eu na janela olhando a cidade, muito curiosa por conhecer, como todo turista. Ainda deu tempo de ver um prédio branquinho escrito, "ESPAÇO RESERVADO PARA PICHADOR AMADOR". Começei a rir baixinho, quando de repente,  alguém atrás de mim falava ao telefone. Uma voz meio de mulher,  só que rouca ou  grossa, não sei, estranha!

        Mas o que me chamou atenção mesmo, foi o conteúdo da fala:

        - Você sabe que gosto muito de você. É faz muito tempo... Mas eu não te esqueci. Penso em você todos os dias. Não acredita?!  Poxa  Vilma, é verdade! Não consegui te esquecer! Já tive outras namoradas é verdade, mas você foi muito especial para mim...

        - Oi, fala mais alto, não tô te ouvindo direito, eu tô no ônibus! Tô indo pro Rio.

        A essa altura, imaginei: É homem, apesar da voz esquisita! E me parece um caso de amor. Já não prestava atenção na cidade, o rapaz falava um pouco alto e percebi que outras pessoas também já haviam se ligado na conversa. Ele continuou:

         - Quando volto do Rio? Ainda não sei. Mas quando voltar vou te fazer uma surpresa! Vou aí na tua casa! Não acredita? Pois pode acreditar! Já faz muito tempo o nosso encontro? E daí? Para mim foi muito especial, não consigo te esquecer! Eu já  tentei!  Mas não consigo! O que você quer que eu faça! A gente não manda nos sentimentos! É mais forte do que eu. Eu acho você linda! Meiga! Maravilhosa! Adoro conversar com você! Para mim você é uma fada!





        Eu me contorcia na cadeira estava com vontade de me virar para olhar quem estava ao telefone. Mas não o fiz! Olhei para minha sobrinha. Ela deu um sorrisinho com o canto da boca e não deixei de conter o riso alto. Todas as pessoas à nossa volta se entreolhavam! Percebi que todos estavam atentos a conversa do moço. Que mico! Pensei. E ele continuou:

        -  Eu não vou ter coragem de ir à sua casa? Quem disse? Vou sim! Na hora! Ah, Não posso ir?! Pode deixar!  Não se preocupe! Não vou dar bandeira nenhuma! Vou chegar de mansinho, sorrateiro... no segredo.

        Pensei com meus botões: Um amor impossível, ela deve ser casada! Ele falava alto,  nem se importava com o clima do  ônibus,  no maior silêncio! Todos a ouvi-lo. A essas  horas,  as pessoas mais próximas  já se olhavam, interagindo-se com sorrisinhos maliciosos. Duas mulheres que estavam ao lado de minha sobrinha, arriscaram uma intromissão:

        - Cara,  já faz muito tempo! Ela já deve ter outro! Esqueçe dela!  E sorriu zombando dele, parecendo conhecê-lo.

        E ele:

         - Minha amiga aqui do ônibus tá falando que você já deve ter outro amor! É?... Tem?!
         - Mas eu te reconquisto, vamos se encontrar, tomar um sorvete! Passear de mãos dadas, depois dar uma esticadinha? Que tal? É?...
         - Casar?! Não,  casar não! Eu já prometi a mim mesmo:  nunca mais ponho alguém pra morar comigo! Não,  foi muito dolorida aquela experiência.  É?... Ah tá... Mas pode ser uma coisa legal! Com compromisso,  mas sem casamento.
          - Como vai aquela sua amiga, a Zenaide? Casou? Mas ela tá bem?!

          Arrisquei olhar para o trajeto e já estávamos na ponte Rio Niterói. Poxa,  nem vi o tempo passar! Também com aquela novela ao vivo,  bem alí atrás de mim! Aproveitei para dar uma viradinha rápida e olhar para a cara dele, pois já o via na minha imaginação: Um bonitão,  de torax avantajado!  Não consegui ver direito, mas o pouco que vi, não gostei. Um cara de olhos esquisitos,  meio que esbugalhados. Pensei: Mas o que importa, se ele a ama tanto! Os feios também se apaixonam! Não é mesmo?  E o apaixonado rapaz continuou:

             - Poxa Vilma, não é possível que você não acredita em mim! Eu tô falando a verdade! Assim você me deixa muito aborrecido! Eu aqui há quase duas horas falando pra você dos meus sentimentos e você só  duvidando, ora! Olha,  vou passar o telefone pra minha amiga aqui do meu lado,  ela é testemunha que eu vivo falando em você poxa!

          
Minha dúvida se dissipou,  pois o apaixonado tinha uma testemunha! Ao passar o telefone para sua amiga, ouvimos, não tão alto quanto ele falava, mas ouvimos:

             -  E aí Vilma, tudo bom? Olha é verdade!  Esse cara só fala em você menina, é uma coisa de louco! Quando vou ver você de novo? Vai estar no desfile de carnaval? Qual  escola?!  Quem sabe  a gente se vê por lá, ok? Tchau. Vou passar pra ele.

           Pronto, quem ainda tinha dúvidas. Não tinha mais! ... Ah, o amor é lindo!
         
             -  Viu, acredita em mim agora?! Minha flor,  meus amigos me perguntam: O que você viu nessa mulher ?!  Hã?  Que eu posso fazer?!  É mais forte do que eu!  Hã, o quê?!  Já tentei te esquecer...  já casei, viajei, me aventurei por aí e nada... não passou. Então,  agora quero ir até o fim! O que você disse?! Ah, você já tá fervendo!  Continuou baixando mais a voz.
            - Eu sei!  Você é muito quente! Por isso não consegui te esquecer! NÃO TÁ OUVINDO DIREITO?!  Estou dentro do ônibus,  não posso falar muito alto!

              Apesar dele ter baixado a voz,  eu continuava a ouvi-lo,  pois estava a sua frente. Porém ele aumentou a voz:

               - Quem está paquerando você?!  Hã? Quem? Vocês sairam?! Não?! Me responde,  vocês sairam?! Fala Vilma, vocês se encontraram?!
               
               Chegamos ao Rio de janeiro, será que daria tempo ouvir o final  a história?!

                - Me responde Vilma, você saiu com ele?!  Saiu! Ah, não acredito! E você gostou?! Fala Vilma, você gostou?! gostou ou não?!
    
               O ônibus parou, algumas pessoas começaram a descer, o rapaz continuava. Eu já estava contendo o riso e aguardando a resposta, nossa parada era a próxima. De repente,  ele levantou num supapo e enquanto falava, se dirigia para descer:

                - Sua vadia, sua cachorra! Eu aqui me derretendo todo,  dizendo que gosto de você e você me vem com essa! Que adorou sair com esse vagabundo! Ora vá se danar! Vá se fud... Sua Pu...

                  Depois de passar por todos, falando furioso ao telefone,  desceu. No ônibus, todos  desabaram  a rir. E eu também! Um moço que ia na minha frente, comentou:
                
                 - Esses travecos, vai ver não tinha ninguém do outro lado da linha!  Fez isso para aparecer! 

                  Perguntei a minha sobrinha: Era um travesti?! E ela:

                 - Não. Acho que era uma mulher!

                 Disparei a rir novamente e falei : O amor é lindo mas... acabou tão rápido!

                

Bjocas no coração!

2 comentários:

  1. Mazé, quanto tempo. Dei uma parada no blog, voltei faz aproximadamente um mês, tá difícil mantê-lo mas vou fazendo umas postagens. Ó, belíssima crônica, divertidíssima, consegui construir uma imagem através das tuas palavras. Parabéns. Te coloquei nos meus favoritos, logo mais estaremos novamente por aqui. Saúde minha amiga. Bj

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  2. Muito legal essa história!Viagem nela!
    Estou com saudades de vc lá na escola, agora sei o que vc passava na coordenação, vai lá qualquer dia desses, estou lá pela manhã!!

    Bjs
    Elen.

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