sábado, 14 de outubro de 2017

MORGANA FADA - PRIMEIRA ESCOLA - TEXTO 2

Por Maze Oliver

PRIMEIRA ESCOLA DE MORGANA 



      Eu era bem pequena, sete anos, na minha infância as crianças entravam na escola nessa idade. Não lembro se a escola era madeira ou alvenaria, mas era pequena, uma sala só! A professora também uma só. Não lembro o nome dela, que pena! Minha mãe disse-me que o nome dela era Alice. Não precisa nem dizer que era na Zona Rural. Sim, porque morávamos na colônia,  muito distante, alguns quilômetros da escola. Eu gostava muito de ir à aula. Era uma verdadeira aventura! 
      Como eu não podia ir sozinha, meus pais me mandavam pra outra colônia onde morava um tio meu com sua família: A tia Jô e o Tio Daniel. Para chegar na tal colônia dos meus tios, a minha avó paterna me levava por dentro da mata, ainda de dia. Esse passeio durava algumas horas. Ouvíamos o canto dos pássaros na mata. Era lindo demais! Ela ia me falando o nome deles e contando histórias dos bichos da floresta: de onça, de cobra, falava até dos seres encantados como Curupira, o Mapinguari e outros seres do nosso folclore. Também contava histórias de reis, rainhas e bruxas. Eu ouvia com muito interesse e nem tinha medo. Aliás, eu só tinha medo mesmo era quando meu pai conversando com seus amigos, falava numa tal de reforma agrária, ele dizia que quando ela viesse iria vir destruindo tudo!  Fazendo rico perder suas terras e que iam fazer de tudo para que  ela nunca viesse!!! Então, imaginava essa reforma como um monstro enorme e muito feio e que tinha um grande furor! Quando eu escutava falar dela, custava a dormir,  já que meu pai falava muito sobre isso, pois sonhava em ter um pedacinho de terra seu mesmo,  para plantar e para colher.  Nessas noites,  eu me cobria pé e cabeça com medo da reforma agrária vir me pegar! É que a criança leva ao pé da letra, tudo o que o adulto fala e fantasia o que ouve. Por isso,  não podemos conversar coisas sérias na frente de crianças, pois nunca se sabe o que ela irá imaginar! O tempo passou, eu cresci, meu pai faleceu e essa tal reforma agrária nunca veio!

      Ao chegar na colônia dos meus tios, minha avó voltava pra casa e eu ficava lá, para no outro dia ir com meus primos à escola. Eram vários primos e primas. Quando íamos dormir eram muitas as  histórias que ouvia:  dos acontecimentos do dia, das peraltices, das caçadas, das pescarias. Então, até a hora de dormir realmente  era uma risadagem só!

   Antes de amanhecer o dia, no primeiro canto do galo já estávamos de pé. Tomávamos o quebra jejum (café, para nós da cidade) com leite tirado da vaca. Minhas primas arrumavam nossas lancheiras, com farofas de ovos, de carne, de jabá. Tudo ia em latas de leite, essas eram as nossas lancheiras! Saíamos ainda escur, pois a escola era longe! Pegávamos a estrada e íamos andando, correndo, cantando e conversando. Quando chegávamos à escola, sempre atrasados, o sol já esquentando o lombo, como dizia meu pai, a professora já estava dando tarefas,  mas éramos bem recebidos​ por conta da distância em que morávamos. Foi nessa escola que recebi as primeiras lições e estudei o ABC,  ainda na velha carta de ABC, tão temida por muitos.Na turma,  tinha alunos de várias idades, era uma turma mista, alguns estudavam as letras enquanto os maiores faziam contas. A  professora polivalente (COITADA!),  tinha que dar conta de vários conteúdos, contextos e disciplinas ao mesmo tempo. Hoje ainda existem esse tipo de escola pelas colônias e zonas rurais do estado.

      Na hora do lanche comíamos animadamente nossas farofas e as onze horas retornávamos o caminho de volta pra casa. E até hoje recordo uma das brincadeiras que fazíamos nesse caminho de volta,  que era bater numa plantinha que tinha na beira de estrada e dizer: Maria, fecha a porta que teu pai morreu! Surpresa mesmo fiquei, na primeira vez que vi a planta se fechar todinha,  diante dos meus olhos curiosos. Então pensei: as plantas são vivas de verdade, elas se mechem! E os carrapichos? Era uma festa! Brincávamos da manja e correndo, os bichinhos grudavam nas nossas roupas e até nos nossos cabelos. Mas para mim  tudo era festa, fazia até desenhos, com aquelas bolinhas que havia trago na roupa.
      Chegava em casa já quase no meio da tarde. E pouco tempo depois,  já era hora de voltar de novo com minha avó,  no caminho da mata para a casa de meus tios esperar pela aula do outro dia. 

      Para minha vida de criança essa foi uma das melhores aventuras que vivi na minha infância. 

ASSINA MORGANA



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Bjokas no coração!
Maze Oliver

Um comentário:

  1. Maze, são lembranças lindas. Também lembro de minha primeira professora. Mas o nome... Ficou no passado.
    Abração.

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