terça-feira, 8 de maio de 2018

MORGANA FADA - A MUDANÇA PARA A CIDADE - TEXTO 11


TEMPOS DE MANGA!

        Por volta dos meus nove anos minha mãe resolveu retornar para a vida na cidade. Eu precisava estudar e ela preocupava-se com meu desenvolvimento na escola. A experiência de eu morar com parentes na cidade não havia dado muito certo. Era preciso pensar em outras possibilidades.

     Meus pais venderam a colônia e retornamos com a bagagem em um caminhão. Eu ainda não sabia o que me esperava. Era muito pequena pra avaliar. Gostei da mudança, gostava da cidade. Era um mundo diferente: o trânsito, as pessoas, as ruas,  tudo me fascinava. Tudo era tão diferente da colônia!

    Hospedamo-nos na casa  de uma parente, enquanto meus pais organizavam a nossa vida. A Prima,  separou um quarto de sua casa e ficamos lá no aperto, com a bagagem do lado de fora numa espécie de área coberta. Passamos a compartilhar da vida e atividades da família hospedeira.
    Meu pai todos os dias saia para procurar trabalho e minha mãe ficava em casa comigo. A cidade não era lá essas coisas: cidade interiorana do Acre no final da década de  60. A principal atividade econômica ainda era o extrativismo,  porém a exploração da borracha estava  em crise e o homem da zona rural  evadia-se  para a capital,  causando o inchamento e  o início da  formação dos bairros de periferia em Rio Branco.  Foi neste CONTEXTO que meus pais mudaram-se com a esperança de melhorar  a qualidade de nossas vidas.

    Em poucos meses minha mãe já  falava que nosso dinheiro da venda da colônia se esvaiu. Meu pai não conseguiu trabalho e as despesas da casa foram consumindo o dinheiro pouco a pouco. Sem condições, sem emprego, sem casa pra morar e sem dinheiro algum; a fome começou a nos assolar, mas era tempo de manga!

   Os pés de mangueiras cheios de frutos espalhados por toda a cidade nos salvaram das dores da fome. Minha mãe conta até hoje que teve semanas do nosso café, almoço e jantar ser mangas.

     Meu pai aprendeu nessa crise o ofício de pedreiro, iniciando como aprendiz, mas logo, logo estava a trabalhar manuseando tijolos, chegando anos mais tarde a ser Mestre de Obras, uma espécie de chefe do setor da construção. Foi assim que ele sustentou a família nos anos vindouros até sua velhice. Meu pai foi um grande guerreiro. Minha mãe iniciou na costura para ajudá-lo na grande tarefa de me criar e a meus irmãos. Foi assim que cresci e aprendi que o trabalho dignifica o homem por mais pobre que ele seja.

ASSINA MORGANA





 Conheça as obras da autora: 


http://umpensamentovirtual.com.br (este blog)
maze.pag.zip.net
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Face book : /maze.oliveira2
CONTATOS: Email:mazeoliver1@gmail.com



Bjokas no coração!
Maze Oliver




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