quinta-feira, 3 de maio de 2018

MORGANA FADA - RUA DA MELANCOLIA, NÚMERO 100 - TEXTO 10


A CASA MELANCÓLICA


     A casa de alguém reflete os estágios de felicidade, tristeza, alegria de seus moradores. Lá ficam suas histórias, o crescimento pessoal, o caminho de cada um.  Nesse endereço imaginário que recriei na mente,  guardei comigo lembranças doces, tristes e principalmente melancólicas.

     A casa era pequena com cômodos  para nos acomodar: dois quartos,  salinha, varanda, banheiro e cozinha. Fora construída com muito sacrifício por meus pais no meio do terreno, pois na frente minha mãe sonhava com um jardim florido e bem cultivado. Quando mudamos não tinha ainda as janelas, pois estava inacabada. Eu com 17 anos concluindo o ensino médio, já pensava em fazer faculdade de Letras, tinha intenção de virar escritora, mas era só sonho mesmo!

     Após descobrirmos a doença de meu pai, que foi avançando lentamente por conta  dele não tomar a medicação indicada pelo médico (E aí entra sua mulher e companheira, minha mãe,  que não acreditava no diagnóstico e pasmem, jogava seus remédios fora), minha mãe a cada dia também foi adoecendo. Seu humor que já não era muito bom ficava pior à olhos vistos e sentidos. Ela sofria crises fortes de depressão.  Por muitas vezes ameaçou  se matar e nós filhos tínhamos que vê-la naquele sofrimento sem poder ajudá-la. Recusava médicos e remédios.

     O ambiente da casa virou uma melancolia só. Via-se a tristeza em cada canto da casa, uma sombra,  a nos espreitar e a nos dominar. Minha irmã bem adolescente escondia-se  nas leituras das conhecidas e românticas revistas SABRINAS que ela adorava. E meu irmão ainda bem pequeno passava seus dias a correr atrás de pipas divertindo-se ou fugindo daquele ambiente tenebroso! Ele com certeza entendia muito bem  o que estava acontecendo conosco.
     Minha mãe teve sua primeira grande crise quando meu pai ulcerou o corpo, ficando tomado de feridas horríveis. Nós morríamos a cada vez que entrávamos em seu quarto. Meu coração doia de amargura e infelicidade ao vê-lo daquele jeito, quase morto.   Essa foi a pior de todas as dores que vivemos. Meu pai morreu e nasceu várias vezes durante toda a sua vida!... E sempre de forma bem dolorosa.

      Dessa vez,  após várias crises de febre e úlceras que espalharam-se pelo seu corpo transformando-se numa chaga viva e quase única,  ele foi finalmente internado em um hospital. E nós ficamos em casa chorando sua sorte brutal, mas isso já  serão outros textos...

      Nós filhos, crescemos, sobrevivemos e nos mudamos de lá anos depois, já casados. A velha casa na Rua da Melancolia, número 100, está hoje praticamente abandonada. Ninguém da família quer ir morar lá. As lembranças são muito fortes. Mamãe a mantém alugada para render-lhe um dinheirinho,  após a morte de meu pai já velhinho aos 83 anos (e por outra doença, pois da Hanseníase ele ficou totalmente curado).

 ASSINA MORGANA


 Conheça as obras da autora: 


http://umpensamentovirtual.com.br (este blog)
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http://clubedeautores.com.br/authors/157692
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CONTATOS: Email:mazeoliver1@gmail.com





 Bjokas no coração, volte outras vezes!
Maze Oliver

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