terça-feira, 10 de agosto de 2010

A ESPERA CONTINUA NOS SOLDADOS E EM SEUS FILHOS...

 E A LONGA  ESPERA CONTINUA...


         Importei este texto do site: http://www.noticias.uol.com.br/ e justifico:

         Meu velho pai, hoje com oitenta anos e filho de um Soldado da Borracha, também vive e contava essa mesma história de espera. Digo contava...  por quê depois que teve um câncer nas cordas vocais perdeu a voz. Ele foi vítima dessa política mentirosa,  que trouxe centenas de nordestinos  à   Amazônia.Veio para o Acre ainda criança, ficou orfão de pai nas matas da Amazônia. Sozinho com sua mãe aos nove anos de idade, sofreu privações,  foi picado por cobras, teve várias malárias, adquiriu outras doenças graves e nunca mais viu seus parentes do nordeste. O desenrolar dessa história de  mentiras, promessas e  exploração pertence a muita gente de nossa terra. Eis o texto da UOL:


10/08/2010 - 06h44


'Soldados da borracha' ainda lutam por compensação na Amazônia brasileira
Na Amazônia brasileira, um grupo esquecido de trabalhadores que se alistou para ajudar os aliados na Segunda Guerra Mundial ainda sonha em voltar para as casas que deixaram ainda na adolescência.
São os chamados "soldados da borracha", enviados para trabalhar como seringueiros na floresta e ajudar na produção da borracha necessária no esforço de guerra.
Hoje octogenários, eles ainda esperam o desfecho de uma batalha legal que pode finalmente trazer a eles o reconhecimento e a compensação que tinham sido prometidos há 67 anos.
Em 1943, enquanto os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e seus aliados estavam lutando nos campos de batalha na Europa, no Norte da África e no Oriente, milhares de brasileiros empobrecidos eram convocados para cumprir com seu dever patriótico.
'Heróis' Manuel Pereira de Araújo lembra o dia que mudaria sua vida para sempre ao se juntar aos "soldados da borracha".
"Um oficial do Exército chegou à minha cidade e nos disse que podíamos nos juntar à luta na frente de batalha na Itália ou ir para a Amazônia. Ele disse que nos tornaríamos heróis na batalha da borracha e ficaríamos ricos extraindo látex", disse.
O esforço de recrutamento era parte de um acordo firmado entre o Brasil e os Estados Unidos.
Com o principal produtor mundial de borracha da época, a Malásia, sob ocupação japonesa, e a borracha sintética não disponível na escala necessária para suprir os esforços de guerra, os Estados Unidos precisavam de uma fonte confiável de borracha.
Os Acordos de Washington previam que o Brasil supriria todo o látex que pudesse produzir em troca de US$ 2 milhões (cerca de US$ 25 milhões, ou R$ 44 milhões, a preços de hoje) dos Estados Unidos.
Nordeste O governo brasileiro centrou sua campanha de recrutamento no nordeste, entre a população pobre que sobrevivia com produção agrícola de subsistência em terras áridas.
"Era uma vida de pobreza. Não havia dinheiro ou trabalho para nós lá. Nós comíamos somente feijão e mandioca, e as colheitas eram tão pobres que muitas vezes passávamos fome", conta Claudionor Ferreira Lima, presidente do Sindicato dos Soldados da Borracha de Porto Velho.
"Eu deixei minha noiva para trás, achando que ficaria rico e voltaria em dois anos para começar uma família. Até onde eu sei, ela ainda está esperando", diz.
Cerca de 55 mil pessoas, em sua maioria homens jovens, se alistaram, mas muitos deles nunca mais viram suas famílias ou suas casas.
Inferno Ferreira Lima lembra o momento em que desembarcou na verde e exuberante floresta amazônica, após uma viagem de vários meses por caminhão e barco.
"Pensávamos que tínhamos chegado ao paraíso, mas em vez da glória encontramos o inferno", diz.
"Era escravidão", afirma Antonio Barbosa da Silva, outro soldado da borracha. "Não havia salário, e se você não produzisse não comia", diz.
"Tirávamos a borracha e trocávamos por comida e por outros bens na loja do seringal", relata.
Cabanas As promessas do governo de assistência médica, acomodação e alimentação não se cumpriram.
"Eles nos deram somente dois pares de calças, então quando uma estava suja eu usava a outra. Não havia onde dormir, então tínhamos que construir uma cabana com madeira e folhas de palmeira", conta Manuel Pereira de Araújo.
Sem médicos nem hospitais, milhares de soldados da borracha morreram de malária, hepatite ou febre amarela.
Outros foram atacados por onças e jacarés ou sucumbiram a picadas de cobra.
"Aqueles que tentavam sair recebiam seu pagamento e ouviam que estavam livres para ir. Mas perto dali havia pistoleiros contratados para atirar neles, tomar seu dinheiro e trazer de volta para o patrão", lembra Araújo.
Famílias Em busca de uma vida melhor, muitas famílias dos soldados da borracha também decidiram embarcar nos navios do governo em direção à Amazônia.
Vincenza da Costa tinha só 14 anos quando seu pai decidiu que a família deixaria para trás a seca do Ceará.
"Ele disse para a minha mãe: 'Vamos, Cândida. Plantei minha última semente, e sem chuva há oito dias, ela já morreu'. Mas era minha casa e eu queria ficar. Chorava todo dia", ela conta.
"Nós estávamos com muitas saudades de casa, mas nossa mãe disse: 'Por que vocês estão tão tristes? Pelo menos aqui podemos comer'. Então tentávamos levantar nossos espíritos fazendo músicas", relata.
Rádio José Duarte de Siqueira era apenas um menino quando os soldados da borracha chegaram à sua cidade-natal, no Estado do Acre.
"Havia apenas um bar com um rádio. Escutávamos as transmissões em português da BBC de Londres e passávamos as notícias sobre a guerra para os que viviam nos seringais", conta.
Foi pelo rádio que Araújo descobriu que a guerra havia terminado.
"Foi em 8 de maio de 1945 que eu ouvi as notícias, e estávamos muito felizes porque pensamos que receberíamos nossos pagamentos e poderíamos voltar para casa", diz.
Pensão Mas a prometida remuneração nunca chegou e, sem dinheiro para voltar, a maioria dos homens permaneceu nos seringais.
Após alguns anos, o governo começou a pagar a eles uma pequena pensão.
Hoje cerca de 8.300 soldados da borracha sobreviventes e 6.500 viúvas recebem R$ 1.020 por mês, mas é muito menos do que eles foram levados a acreditar que ganhariam.
Nos escritórios dilapidados do Sindicato dos Soldados da Borracha, Lima está otimista com a possibilidade de um aumento da pensão.
"Eu me tornei presidente do sindicato para lutar por justiça, porque os soldados da borracha merecem coisa melhor", diz.
Políticos simpatizantes da causa nos Estados do Acre, de Rondônia e do Amazonas estão pressionando para que o aumento da pensão ocorra logo.
Em maio deste ano, foi feito um novo pedido de urgência para a aprovação do aumento.
Advogados Uma equipe de advogados também tenta garantir indenizações.
"Meu avô foi um soldado da borracha, e eu cresci ouvindo suas histórias. A contribuição que eles deram e a injustiça contra eles são parte da memória do povo da região amazônica", afirma o advogado Irlan Rogério Erasmo da Silva.
"Estamos pedindo R$ 764 mil para cada soldado da borracha. Não é só sobre o dinheiro que foi mandado pelos Estados Unidos. Estamos também pedindo indenizações pelas violações aos direitos humanos sofridas por eles", diz.
Com a batalha legal em andamento, muitos dos soldados da borracha ainda sonham com a "volta para casa".
"Fiquei esperando todos esses anos para receber meu dinheiro", diz Araújo.
"Quando ele chegar, vou voltar para o nordeste. Meus pais já morreram, mas vou ficar com meus irmãos e minhas irmãs", afirma.
Mas o tempo está se esgotando, e para muitos dos soldados da borracha, já é tarde demais.

domingo, 25 de julho de 2010

"FAZENDEIROS" POR ALGUNS DIAS...

        Andei um pouco sem tempo para escrever. Estava ocupada com um novo e interessante projeto que estou assessorando. Porém, meus leitores de outros estados me cobraram um novo texto. Esse texto é pra você conhecer um pouco da cultura da nossa cidade,  que não é tão diferente do restante  do Brasil. Então aproveitando minhas andanças nesses dias, eis as novas idéias!
        É interessante perceber como a cultura vai se construindo  e desconstruindo na cabeça  das pessoas ao longo do tempo.
 
        Todos daqui sabem que no  nosso Acre, a Expoacre já  faz parte da cultura do povo. Isso se foi construindo na medida em que essa feira foi acontecendo ano a ano. Então,  a partir de um certo tempo a Exposição Agro-pecuária, evento promovido pela elite de Rio Branco,  passou a ser incorporada pelo povão. Você pode achar que falo bobagens! Mas posso argumentar!
        Tenho observado que muita gente da classe popular faz economia durante um certo tempo ou compra à prazo: roupas, botas, chapéus e outros acessórios da Moda Country para desfilar na feira, muitas vezes a um calor de quase 40 graus. Todos se sentem fazendeiros por alguns dias, o tempo de duração da Exposição. O comércio é aquecido durante essa época do ano. A Expoacre 2009, gerou uma renda aproximada  de 23 milhões de reais.
        Lá é exposto à venda, desde cavalos  à cachorro quente (lanche).
       Uns ganham muito dinheiro, outros gastam e se divertem, passeiam, ouvem música, dançam, e assim...  todos são felizes. Todos posam de  "fazendeiros" por alguns dias... A Feira tornou-se mais um antídoto, à tristeza do povo,  como o Carnaval, a Copa do mundo e muitos outros antídotos que o povo usa para não pensar sobre a sua situação. Povo criativo,  povo inteligente,  povo feliz!
        Digo inteligente,  porque acredito que quando a situação não tem jeito, resolvida está. Então o povão vai encontrando sua maneira de ser feliz!

        Como diz Zé Ramalho em sua música:

       Eh...  Vida de gado,  povo marcado,  povo feliz!

        E você leitor o que acha?! Se concorda ou não concorda pode deixar seu comentário!
        

domingo, 18 de julho de 2010

FELICIDADE

Felicidade...

É mais que artefato,
sentimento grande,
sensação de leveza.

É consciência tranquila,
vontade de viver,
aproveitar a vida,
minuto a minuto.

F
 e
   l
     i
      c
        i
         d
           a
            d
              e ...

É amor Fati,
Não querer nada diferente do que é,
É ter...
Paixão de viver!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Grrrrrrrrr! Merda de Chefe!

Uma colega uma vez num desabafo me confidenciou:

-Como a gente pode viver em paz, num mundo desses! Tem certas pessoas que simplesmente não existem!

Perguntei: Como assim?!



E ela: É meu gestor!... Sabe ele é simplesmente insuportável, acha que sabe tudo! Não respeita a idéia dos outros, adora mandar! Quer que todo mundo chegue cedo no trabalho. Mais ele nunca chega! ... Pede que eu faça um documento: me descabelo, me esforço para fazer o melhor e quando entrego a ele... nunca está bom! Tenho sempre que refazer! Poxa, se é pra ele mesmo fazer, porque não o faz de uma vez?! Às vezes ele só inverte as minhas frases ou coloca palavras sinônimas no lugar das minhas. Um saco!


Então pensei com meus botões: Ela pensa que é a única! ... Isso é mais comum do que se imagina e como é... Então enquanto ela xingava seu gestor colocando para fora todas as cobras e lagartos, que com certeza iam fazer muito bem para o seu ego de funcionária desmotivada, aproveitei para refletir um pouco sobre essa questão.


Vejamos: A função do gestor é garantir a funcionalidade do setor e atender as expectativas dos funcionários e clientes garantindo e maximizando os resultados da empresa. Se o gestor em vez disso, aporrinha a vida de seus funcionários desmotivando-os, sua gestão terá efeito contrário, ou seja: baixa produtividade e consequentemente a insatisfação dos clientes. A esse tipo de gestor vamos chamar de "chefe". A quem interessa o "chefe"?!


Podemos identificar o "chefe" por algumas atitudes:

- Liga para o seu celular para falar de trabalho;

- Numa reunião só ele quer falar;

-O que ele não concorda está errado;

-Quando é com ele é um problema, quando é com os outros não tem importância alguma;

- Diz que não gosta de fofoca mais fica "pescando";

-Usa outras pessoas para fazer as suas críticas, para se passar por bonzinho;

- Finge que acata as idéias do grupo, mas só coloca em prática as suas idéias;

- O sucesso é sempre dele, já o fracasso, é do grupo;

- É vaidoso. Se coloca acima das outras pessoas.
É... tem realmente pessoas que por pegarem um cargozinho num órgão do governo, numa empresa, ou até mesmo numa instituição religiosa, se acham com um rei na barriga. Imediatamente desconhecem os amigos, impinam o nariz, "sobem no salto" ( homens também! ), passam a humilhar outras pessoas principalmente os que estão mais abaixo do seu cargo... é claro! Os que estão acima dele ou dela, puxam o saco na maior cara de pau! Analisando mais a fundo esse comportamento pode-se afirmar que gestores assim são inseguros e sem conhecimento... pra não dizer ignorantes. E por ironia muitos até são pós-graduados ou então "doutourados".

Para explicar pra você leitor porque digo isso, vou recorrer a Psicologia que diz que a motivação é interna. Ou seja para você fazer algo produtivo e positivo é necessário que você esteja estimulado, ou melhor com vontade de fazer. Imaginemos então aquela minha colega que com muita raiva de seu chefe precise fazer um relatório onde deixe muito claro o trabalho da euquipe. É leitor, não errei não! Você leu isso mesmo! ( E se eu errar, me poupe! Você não é o meu chefe!). Gestores têem equipes e "chefes" têem eu-quipes em vez de equipes. Com esse tipo de "chefe" você muitas vezes é proibido de pensar ou ... é pecado pensar! Eles te vêem como um ser sem cérebro!... Mas retornemos a moça do relatório. Como você acha que ela vai fazer o relatório?! Falando maravilhas do trabalho realizado, onde ela só obedeceu ordens e mais nada: Faça isso! faça aquilo! Você já marcou aquela reunião?! Apague! Faça de novo!

Não precisa ser nem um gênio, nem um cientista da Psicologia pra imaginar que o tal relatório vai ficar mesmo uma bela de uma porcaria, não porque a moça não saiba fazê-lo mais porque o que ela gostaria de escrever de verdade nesse relatório são todos os podres de seu chefe ou todos os chifres que ele já levou na vida! (qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência) É ... leitor! E olhe isso não é exagero não! As pessoas são assim mesmo! A grande maioria age pela emoção, em detrimento da razão. E por mais que essa moça se esforce não vai conseguir porque o seu cérebro já bloqueou tudo de bom que poderia escrever. E ela pensa: Ah! tá bom! Porque vou me esforçar, ele vai riscar tudo mesmo?!

Podemos dizer então ao "chefe" que em vez de levar seus empregados a esse exemplo claro de desalento, seria muito mais inteligente de sua parte, motivar as pessoas para que elas produzam mais e melhor. Só que para isso é necessário que o "chefe" tenha segurança em si mesmo e capacidade gestora. E isso é o que esse tipo de "chefe" não tem. Por isso precisa se impor, mostrar que sabe, esconder-se em "cima do salto", ou atrás da mesa, porque assim acha que não corre riscos ( às vezes isso é inconsciente, outras não! ), porque na verdade o que esse chefe tem mesmo de verdade, é medo de outros tomarem o lugar dele! Ou de enxergarem quem ele é na verdade: MESQUINHO(A) E PREPOTENTE.

Mais você deve estar se perguntando o que eu disse a minha colega naquele dia. Foi exatamente isso que eu disse:

- Amiga, tome o lugar dele! Com certeza você vai saber tratar melhor as pessoas. Ou mude de emprego! De uma coisa temos que ter certeza. Nesse mundo nada é para sempre, nem nós mesmas. E as experiências negativas que vivemos em nossa vida vai nos destruindo lentamente. Por isso vale a pena refletir e reagir.

E você? também tem um "chefe" assim?! Então grite!... Faça alguma coisa!

Agora se você é um Gestor e se identificou com este "chefe", acorde! Você ainda pode mudar! Procure ajuda!

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Marcadores: Texto de opinião

Reações:

2 comentários:

Thaísa Lima disse...

Nem toda pessoa pode ter o poder...cargos importantes só se mantém com pessoas q sabem lidar com pessoas. Parece simples, mas não é.


Renã disse...

Prezada Mazé,

Pensei que fosse de outro estado.

É! Este seu artigo remete-nos a uma chaga denominada AUTORITARISMO, tão pernicioso para a sociedade, quanto uma outra pústula: a DESONESTIDADE.

De todo modo, parabéns! Tá muito bom o PENSAMENTO VIRTUAL.

Renã do Acre