segunda-feira, 25 de outubro de 2010

.·´¯`·-> A TEORIA DO CARRAPICHO! <-·´¯`·.

         Nos disse João Roberto, vivemos hoje sob stress. Mas, o stress é uma situação de defesa! É um adicional de força, pois enquanto existir ameaça, existirá stress. É uma condição da vida,     da condição humana. É uma resposta do organismo para superação dos obstáculos do dia a dia.

        O que devemos nos perguntar é:  Fazemos pausa entre as situações de stress?

        Mas, o que é pausa?!  Pausa é uma sensação de bem estar pleno.

        Temos realmente pausa?! Se fomos a uma festa, mas não nos sentimos bem,  então não fizemos pausa.
Não valeu como pausa!

         Precisamos nos conhecer, saber o que gostamos. Saber quais são as nossas pausas. Parar de conceder nossas pausas aos outros. Chefe,  família,  filhos,  marido,  amigos,  etc. Ter coragem de assumir nosso querer! Às vezes precisamos ficar a sós conosco. Para aprender a nos olhar! E não é egoismo! É fundamental que cuidemos de nós.

          A sociedade comete o equívoco em não considerar bom quem cuida de si, quem se ama! E valoriza quem se doa! Que se dá demais,  esquece de sí! Quem se doa demais, termina ressentido, pois um dia se percebe perdedor,  fica amargurado e começa a dar junto com a doação, também a sua amargura. Vai estragando a relação, minando pouco a pouco.  Aí o outro cansa de doação amarga e se vai.

         Um belo dia se rebela,  diz a você:  Você está muito chata!  (Ou chato! )  Cansei,  fui!

         Resta a dor, que é imensa! Porém, a dor é importante quando o vínculo se vai,  pois promove a compreensão de que o mais importante que temos a oferecer, é nós mesmos, só que resolvidos. Alegres, felizes!   Sem carrapichos!

          Mas, o que são mesmo os carrapichos?!  Disse ele: São as mágoas, os ressentimentos, as raivas, ciumes, as perdas que voce vai se apegando ou pegando dos carrapichados com quem vai convivendo, durante sua infância, juventude,  vida à fora! A vida tem Ipê Amarelo que é lindo! Mas também tem carrapichos que grudam e espinham!  Na estrada da vida tem muitos carrapichos! ...       Tem mãe carrapicho, marido, filho, chefe, professora e tia carrapichos!

          Uma professora pode ser um grande Ipê Amarelo ou um grande carrapicho na vida de uma criança!


         Mas,  tem tempo de pegar carrapicho e tempo de tirar carrapichos! O que não podemos é levar os carrapichos para o túmulo! Os carrapichos podem ser tirados! Eles não são intrínsecos à sua alma! É bom demais tirá-los!    É como nascer de novo!      Você deve parar para tirar os carrapichos da sua alma!

          Depois de retirá-los (os carrapichos),  pergunte para quem está ao seu lado:  Filho ou  marido. Como foi o seu dia?! Como você está? Não se iluda, vai assustar um pouco! Se ouvir: Mãe o que houve? você está doente? 

         Não desista!  Aposte nas relações, no diálogo verdadeiro, pois na vida não precisamos conversar somente para tomarmos decisão. Mas, também para saber como está o outro,  partilhar realmente a  vida, e parar quantas vezes for preciso para retirar os carrapichos! 

         Essas orientações nos foram doadas pelo Orientador do Programa Educação para a Paz, o Psicólogo João Roberto de Araújo, em palestra na Usina de Arte, em 19/10/2010, promovida pela Secretaria Municipal de Educação de Rio Branco (SEME). Com certeza não esquecerei jamais e repasso a você leitor e aos amigos,  a importante Teoria do Carrapicho!

 Obrigada João! Valeu mesmo!
www.dado.pag.zip.net

terça-feira, 12 de outubro de 2010

DIA DA CRIANÇA , COM MAIS DIREITOS!

 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


         Encerrou ontem nossa Formação Continuada na Escola sobre Violência Doméstica. Foram quatro dias de estudos sobre o tema. Três Assistentes Sociais e dois Assessores do Ministério Público formaram a equipe que orienta as escolas sobre as modificações na lei que rege os crimes de violência doméstica no país.
        Assuntos como violência sexual na família, disciplina física abusiva, tortura psicológica, e crime sexual com menores, entre outros, foram abordados. A formação foi solicitada pela escola ao setor de Saúde na Escola, da SEME. As mudanças da Lei aprovadas em Agosto de 2009, devem ser conhecidas e divulgadas para a sociedade. Nossa escola pretende fazer formação para os pais dos alunos sobre esse importante assunto ainda este ano.
VEJAMOS AS NOVIDADES:
        Relação sexual, consentida ou não, com menores de 14 anos agora é crime de natureza pública, é considerado estupro e crime inafiançável, com pena de reclusão de 8 a 15 anos.

        O menor de idade pode cumprir medida educativa por crime de estupro mesmo que o ato sexual tenha sido consentido pela vítima.

        Satisfação sexual mediante presença de crianças ou adolescentes também é considerado crime grave.

       Antes, a lei tratava somente de mulheres que sofriam estupro, agora é abrangente, a nova lei diz: Constranger alguém a praticar ato libidinoso, com ato carnal ou não, mesmo na internet, constitui crime.

      Todos esses crimes são incondicionados a representação, ou seja qualquer pessoa pode denunciar e ainda não depende da vítima ou da família querer ou não.

     O ato ou omissão de cuidados, praticado por um adulto, contra menor de idade, caracteriza-se como violência doméstica.
     É que crianças muitas vezes são tratadas como objetos pela pessoa que cuida e que deveria protegê-la. A mudança na lei é a tentativa de romper com o complô do silêncio que vitimiza milhares de crianças, muitas vezes violentadas dentro de sua própra casa. São vários os tipos de violência: sexual, física, psicológica e a negligência.
     A palmada, antes muito utilizada, agora é vista como violência doméstica porque segundo a psicologia, não educa. O que educa é o diálogo , a afetividade e a segurança do amor familiar. Educar dá muito trabalho! É preciso impor limites com persistência e sobretudo paciência!
     E atenção: O fato de não levar a criança à escola (muitas faltas), não levar ao médico quando doente, descuidos com os hábitos de higiene da criança, caracteriza-se como negligência familiar e pode ser denunciado!
    O Secretário da Promotoria, Dr. Marcelo Augusto, enfatizou: "A escola tem a função de atendimento, isto é, de proteger seus estudantes contra qualquer violação de seus direitos."
    O ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente define o que se chama sistema de garantia de direitos Da Infância e da Juventude.

    O Conselho Tutelar é a Instituição que recebe as denúncias de negligência e violência.

   Nossos agradecimentos à equipe formadora: Hilzanete Carrilho R. Villar (Assistente Social do DAE), Ângela Mª F. Fontes (Assistente Social / DAE), Regina Cláudia Castro Cavalcante (Assist. Social / DAE), Marcelo Augusto A. Freire, Secretário da Promotoria de Violência Doméstica, Igor Ignácio Dias Lins, Assessor Técnico - Jurídico da Promotoria de Violência Doméstica e Familiar contra a mulher.






















terça-feira, 14 de setembro de 2010

CUSCO - VALE SAGRADO DOS INCAS - MEMÓRIA DE SACRIFÍCIOS

         Não tem como não impressionar-se ao visitar o Peru e ver de perto o Vale Sagrado dos Incas.  Rara beleza  e mistério. Memória de sacrifícios de vidas humanas. Uma arquitetura impressionante. Ruinas inquietantes. Foi assim que vi  Cusco e seu Vale Sagrado.



Vale Sagrado dos Incas

         Cusco,  lugar de extrema magia, um explendor nas montanhas. A presença das cordilheiras dos Andes, explica o clima e a beleza da paisagem do lugar. Os primeiros homens que habitaram o Peru, trouxeram com certeza muitos conhecimentos, revolucionaram  grupos culturais e estabeleceram uma das mais importantes civilizações antigas, o povo inca. Desvastados pelos espanhóis, os incas deixaram um legado de cultura, muito vivo e ainda presente nos dias de hoje em Cusco.






Acervo cultural de Cusco
 
          A cidade vive completamente de turismo e do comércio, a Cultura Inca é celebrada e compartilhada com os turistas como a água de beber, misturada a cultura dos espanhóis com seu catolicismo presente nos  ricos monumentos religiosos de imagens folheadas a ouro  e  monumentos históricos culturais.



clique na foto para ver em tamanho maior

          Me impressionou também a conservação do patrimônio natural  das terras  peruanas, suas florestas intactas nos desfiladeiros das montanhas, alta conservação da diversidade ecológica. Uma terra muito verde contrastando com as águas e suas pedras. As cordilheiras dos Andes uma visão espetacular!

Montanhas de Cusco


           Vale ressaltar ainda o contraste fino da cidade,  com seu povo ainda primitivo, pois  suas comunidades ainda convivem em harmonia com  a natureza,  a  periferia da cidade  de Cusco, vive  de plantar, criar ilhamas e fazer artesanato cultural que vendem nas cidades e nas feiras para os turistas. O chá da coca é servido em xícaras de porcelanas nos hotéis e cafés chiques da cidade,  para melhorar a digestão e o torpor dos turistas  que passam mal devido a altitude do local. Afinal,  a cidade fica em local muito alto, em alguns lugares chega a ser mais de quatro mil metros acima do nível do mar.



Hotel de Cusco
 

Igreja Católica













Chá da Coca servido em hotel de Cusco

               Mas para chegar ao território peruano por terra, será necessário enfrentar alguns perigos. Transpor as Cordilheiras dos Andes não é tão fácil assim, são imensos desfiladeiros e  abismos. Uma estrada cheia de curvas fechadíssimas. Sem contar o intenso mal estar que nos abate durantes muitas horas de viagem no ônibus que não é de primeira linha, (depois que entramos nas terras do Peru). Quem estiver disposto a correr o risco, prepare-se para a aventura.


              Para o nosso grupo que foi e voltou ileso. Valeu a pena!  

                                                                                     Bjokas no coração!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A ESPERA CONTINUA NOS SOLDADOS E EM SEUS FILHOS...

 E A LONGA  ESPERA CONTINUA...


         Importei este texto do site: http://www.noticias.uol.com.br/ e justifico:

         Meu velho pai, hoje com oitenta anos e filho de um Soldado da Borracha, também vive e contava essa mesma história de espera. Digo contava...  por quê depois que teve um câncer nas cordas vocais perdeu a voz. Ele foi vítima dessa política mentirosa,  que trouxe centenas de nordestinos  à   Amazônia.Veio para o Acre ainda criança, ficou orfão de pai nas matas da Amazônia. Sozinho com sua mãe aos nove anos de idade, sofreu privações,  foi picado por cobras, teve várias malárias, adquiriu outras doenças graves e nunca mais viu seus parentes do nordeste. O desenrolar dessa história de  mentiras, promessas e  exploração pertence a muita gente de nossa terra. Eis o texto da UOL:


10/08/2010 - 06h44


'Soldados da borracha' ainda lutam por compensação na Amazônia brasileira
Na Amazônia brasileira, um grupo esquecido de trabalhadores que se alistou para ajudar os aliados na Segunda Guerra Mundial ainda sonha em voltar para as casas que deixaram ainda na adolescência.
São os chamados "soldados da borracha", enviados para trabalhar como seringueiros na floresta e ajudar na produção da borracha necessária no esforço de guerra.
Hoje octogenários, eles ainda esperam o desfecho de uma batalha legal que pode finalmente trazer a eles o reconhecimento e a compensação que tinham sido prometidos há 67 anos.
Em 1943, enquanto os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e seus aliados estavam lutando nos campos de batalha na Europa, no Norte da África e no Oriente, milhares de brasileiros empobrecidos eram convocados para cumprir com seu dever patriótico.
'Heróis' Manuel Pereira de Araújo lembra o dia que mudaria sua vida para sempre ao se juntar aos "soldados da borracha".
"Um oficial do Exército chegou à minha cidade e nos disse que podíamos nos juntar à luta na frente de batalha na Itália ou ir para a Amazônia. Ele disse que nos tornaríamos heróis na batalha da borracha e ficaríamos ricos extraindo látex", disse.
O esforço de recrutamento era parte de um acordo firmado entre o Brasil e os Estados Unidos.
Com o principal produtor mundial de borracha da época, a Malásia, sob ocupação japonesa, e a borracha sintética não disponível na escala necessária para suprir os esforços de guerra, os Estados Unidos precisavam de uma fonte confiável de borracha.
Os Acordos de Washington previam que o Brasil supriria todo o látex que pudesse produzir em troca de US$ 2 milhões (cerca de US$ 25 milhões, ou R$ 44 milhões, a preços de hoje) dos Estados Unidos.
Nordeste O governo brasileiro centrou sua campanha de recrutamento no nordeste, entre a população pobre que sobrevivia com produção agrícola de subsistência em terras áridas.
"Era uma vida de pobreza. Não havia dinheiro ou trabalho para nós lá. Nós comíamos somente feijão e mandioca, e as colheitas eram tão pobres que muitas vezes passávamos fome", conta Claudionor Ferreira Lima, presidente do Sindicato dos Soldados da Borracha de Porto Velho.
"Eu deixei minha noiva para trás, achando que ficaria rico e voltaria em dois anos para começar uma família. Até onde eu sei, ela ainda está esperando", diz.
Cerca de 55 mil pessoas, em sua maioria homens jovens, se alistaram, mas muitos deles nunca mais viram suas famílias ou suas casas.
Inferno Ferreira Lima lembra o momento em que desembarcou na verde e exuberante floresta amazônica, após uma viagem de vários meses por caminhão e barco.
"Pensávamos que tínhamos chegado ao paraíso, mas em vez da glória encontramos o inferno", diz.
"Era escravidão", afirma Antonio Barbosa da Silva, outro soldado da borracha. "Não havia salário, e se você não produzisse não comia", diz.
"Tirávamos a borracha e trocávamos por comida e por outros bens na loja do seringal", relata.
Cabanas As promessas do governo de assistência médica, acomodação e alimentação não se cumpriram.
"Eles nos deram somente dois pares de calças, então quando uma estava suja eu usava a outra. Não havia onde dormir, então tínhamos que construir uma cabana com madeira e folhas de palmeira", conta Manuel Pereira de Araújo.
Sem médicos nem hospitais, milhares de soldados da borracha morreram de malária, hepatite ou febre amarela.
Outros foram atacados por onças e jacarés ou sucumbiram a picadas de cobra.
"Aqueles que tentavam sair recebiam seu pagamento e ouviam que estavam livres para ir. Mas perto dali havia pistoleiros contratados para atirar neles, tomar seu dinheiro e trazer de volta para o patrão", lembra Araújo.
Famílias Em busca de uma vida melhor, muitas famílias dos soldados da borracha também decidiram embarcar nos navios do governo em direção à Amazônia.
Vincenza da Costa tinha só 14 anos quando seu pai decidiu que a família deixaria para trás a seca do Ceará.
"Ele disse para a minha mãe: 'Vamos, Cândida. Plantei minha última semente, e sem chuva há oito dias, ela já morreu'. Mas era minha casa e eu queria ficar. Chorava todo dia", ela conta.
"Nós estávamos com muitas saudades de casa, mas nossa mãe disse: 'Por que vocês estão tão tristes? Pelo menos aqui podemos comer'. Então tentávamos levantar nossos espíritos fazendo músicas", relata.
Rádio José Duarte de Siqueira era apenas um menino quando os soldados da borracha chegaram à sua cidade-natal, no Estado do Acre.
"Havia apenas um bar com um rádio. Escutávamos as transmissões em português da BBC de Londres e passávamos as notícias sobre a guerra para os que viviam nos seringais", conta.
Foi pelo rádio que Araújo descobriu que a guerra havia terminado.
"Foi em 8 de maio de 1945 que eu ouvi as notícias, e estávamos muito felizes porque pensamos que receberíamos nossos pagamentos e poderíamos voltar para casa", diz.
Pensão Mas a prometida remuneração nunca chegou e, sem dinheiro para voltar, a maioria dos homens permaneceu nos seringais.
Após alguns anos, o governo começou a pagar a eles uma pequena pensão.
Hoje cerca de 8.300 soldados da borracha sobreviventes e 6.500 viúvas recebem R$ 1.020 por mês, mas é muito menos do que eles foram levados a acreditar que ganhariam.
Nos escritórios dilapidados do Sindicato dos Soldados da Borracha, Lima está otimista com a possibilidade de um aumento da pensão.
"Eu me tornei presidente do sindicato para lutar por justiça, porque os soldados da borracha merecem coisa melhor", diz.
Políticos simpatizantes da causa nos Estados do Acre, de Rondônia e do Amazonas estão pressionando para que o aumento da pensão ocorra logo.
Em maio deste ano, foi feito um novo pedido de urgência para a aprovação do aumento.
Advogados Uma equipe de advogados também tenta garantir indenizações.
"Meu avô foi um soldado da borracha, e eu cresci ouvindo suas histórias. A contribuição que eles deram e a injustiça contra eles são parte da memória do povo da região amazônica", afirma o advogado Irlan Rogério Erasmo da Silva.
"Estamos pedindo R$ 764 mil para cada soldado da borracha. Não é só sobre o dinheiro que foi mandado pelos Estados Unidos. Estamos também pedindo indenizações pelas violações aos direitos humanos sofridas por eles", diz.
Com a batalha legal em andamento, muitos dos soldados da borracha ainda sonham com a "volta para casa".
"Fiquei esperando todos esses anos para receber meu dinheiro", diz Araújo.
"Quando ele chegar, vou voltar para o nordeste. Meus pais já morreram, mas vou ficar com meus irmãos e minhas irmãs", afirma.
Mas o tempo está se esgotando, e para muitos dos soldados da borracha, já é tarde demais.