Às vésperas da eleição presidencial no Brasil, sinto-me compelida a escrever, pois para mim é inadmissível ficar calada diante do quadro que hora vivemos. Muitos anos esquerdista, amante da bandeira socialista, defensora das teorias marxistas, me vejo fora do ninho, percebo-me como um peixe fora d'água, um passarinho que caiu do ninho, um cego no escuro: foram embora os meus sonhos, o que vejo diante dos meus olhos é uma verdadeira tragédia social: a destruição da família, o crescimento da violência e o surgimento do caos coletivo.
No início da minha vida adulta, quase adolescente aos dezoito anos, conheci pessoas de esquerda, (amigos e professores) ainda na universidade, que influenciavam e faziam acreditar nas teorias marxistas e assim como eu, milhões de jovens que sonhavam com a liberdade e a justiça social, lutaram e defenderam partidos de esquerda que nasceram prometendo solidariedade, divisão de bens e comunidade igualitária, numa época de ditadura militar. Só que o sonho virou um pesadelo.
Na atualidade, para minha infelicidade e de muitos jovens da época que embalaram-se nessas ideias, foram mortas nossas esperanças ao ver pouco a pouco as famílias deteriorando-se e seus filhos sendo jogados ao vento, sem perspectivas, acolhidos pelo crime organizado ou pela ilusão das drogas. Vinte anos depois, o caos instalou-se no nosso país. Nossa cidadezinha antes pacata, é hoje a capital mais violenta do Brasil, fruto de políticas ineficientes e segurança de fronteiras, com alto índice de assassinatos, tráfico de drogas e insegurança social. O pavor tomou conta das pessoas de bem que tentam se defender trancando-se em suas residências com cerca elétrica. Os bairros periféricos tem toque de recolher e os que se arriscam a entrar nas periferias à noite, pagam um preço caro por tamanha "audácia."
O Estado está inchado por excesso de funcionários (quase única fonte de renda) e sua folha de pagamento corre o risco de não ser contemplada. Funcionários do alto escalão ganham rios de dinheiro em detrimento do funcionalismo comum com seus salários minguados e rechaçados pela inflação. Falta atendimento de saúde a contento às pessoas de periferia que morrem nas filas ou nas macas de hospitais enquanto aguardam por um atendimento médico de qualidade. O sonho transformou-se em tragédia coletiva! E essa realidade espalhou-se pelo Brasil.
O que fazer diante de tal constatação? Arrisco-me então a escolher o caminho contrário! De um lado o partido que está no poder e de outro um candidato de um partido pequeno, que está se fazendo grande, porém de direita, que defende o capitalismo, tão batido e condenado pelos esquerdistas. Por que uma mudança tão radical? Não vejo outra saída! Ou faço opção por mudança ou apoio tudo que está acontecendo e dou vivas a continuidade desse plano macabro que é a ilusão do socialismo. Devo citar aqui um conteúdo de Demerval Saviani, utilizando-me do veneno que me alimentou na universidade; colocando-o agora apontando-o para o outro lado: utilizar a teoria da curvatura da vara para explicar essa vontade de mudança tão avassaladora na minha vida e na vida de milhões de pessoas do meu país. Quem sabe assim poderemos voltar ao equilíbrio ou quebrar de vez! Olhando pelo lado do dominado a luta pela hegemonia nos indica o processo inverso: "Trata-se de desarticular dos interesses
dominantes aqueles elementos que estão articulados
em torno deles, mas não são inerentes à ideologia dominante
e rearticulá-los em torno dos interesses dominados" (Saviani, 1980: 10-11). Assim escreveu Saviani a respeito da implantação da Escola Nova e de seus interesses aburguesados. Faço então a seguinte analogia a partir do meu aprendizado. Hoje a burguesia é a esquerda! Por isso a teoria tem que ser usada em sentido contrário. Conseguiu perceber?
Maze Oliver
26 de Outubro de 2018
26 de Outubro de 2018

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Mazé, Parabéns! Uma postagem muito lúcida. Os estragos não serão consertados da noite para o dia. Mas já vemos luz no fim do tunel.
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