quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

A TEORIA DO CARRAPICHO!

 Amigos,  estou republicando este artigo, porque ele nos ajuda a refletir e a melhorar nossa qualidade de vida. Eis o texto:

      Nos disse João Roberto ( Psicólogo):  " Vivemos hoje sob stress. Mas, o stress é uma situação de defesa!"  É um adicional de força, pois enquanto existir ameaça, existirá stress. É uma condição da vida, da condição humana. É uma resposta do organismo para superação dos obstáculos do dia a dia.

        O que devemos nos perguntar é:  Fazemos pausa entre as situações de stress?

        Mas, o que é pausa?!  Pausa é uma sensação de bem estar pleno.

       Temos realmente pausa?! Se formos a uma festa, mas não nos sentirmos bem,  então não fizemos pausa.

               ATENÇÃO:  Não valeu como pausa!

         Precisamos nos conhecer, saber o que gostamos. Saber quais são as nossas pausas. Parar de conceder nossas pausas aos outros. Chefe,  família,  filhos,  marido,  amigos,  etc. Ter coragem de assumir nosso querer! Às vezes precisamos ficar a sós conosco. Para aprender a nos olhar! E não é egoismo! É fundamental que cuidemos de nós.

      A sociedade comete o equívoco em não considerar bom quem cuida de si, quem se ama! E valoriza quem se doa! Que se dá demais,  esquece de sí! Quem se doa demais, termina ressentido, pois um dia se percebe perdedor,  fica amargurado e começa a dar junto com a doação, também a sua amargura. Vai estragando a relação, minando pouco a pouco.  Aí o outro cansa de doação amarga e se vai.

         Um belo dia se rebela,  diz a você:  Você está muito chata!  (Ou chato! )  Cansei,  fui! Partiu!

      Resta a dor, que é imensa! Porém, a dor é importante quando o vínculo se vai,  pois promove a compreensão de que o mais importante que temos a oferecer, é nós mesmos, só que resolvidos. Alegres, felizes!   Sem carrapichos!

        Mas, o que são mesmo os carrapichos?!  Disse ele: "São as mágoas, os ressentimentos, as raivas, ciumes, as perdas que voce vai se apegando ou pegando dos carrapichados com quem vai convivendo, durante sua infância, juventude,  vida à fora!" A vida tem Ipê Amarelo que é lindo! Mas também tem carrapichos que grudam e espinham!  Na estrada da vida tem muitos carrapichos! ... Tem mãe carrapicho, marido, filho, chefe, professora e tia carrapichos!

         " Uma professora pode ser um grande Ipê Amarelo ou um grande carrapicho na vida de uma criança!" Disse ele.

         Mas,  tem tempo de pegar carrapichos e tempo de tirar carrapichos! O que não podemos é levar os carrapichos para o túmulo! Os carrapichos podem e devem ser tirados! Eles não são intrínsecos à sua alma! É bom demais tirá-los!...    É como nascer de novo! ... Você deve parar para tirar os carrapichos da sua alma!

          Depois de retirá-los (os carrapichos),  pergunte para quem está ao seu lado:  Filho ou  marido. Como foi o seu dia?! Como você está? Não se iluda, vai assustar um pouco! Se ouvir: Mãe o que houve? você está doente? 

         Não desista!  Aposte nas relações, no diálogo verdadeiro, pois na vida não precisamos conversar somente para tomarmos decisão. Mas, também para saber como está o outro,  partilhar realmente a  vida, e parar quantas vezes for preciso para retirar os carrapichos! 

         Estas orientações  foram doadas aos professores de Rio Branco-Acre,  pelo Orientador do Programa Educação para a Paz, o Psicólogo João Roberto de Araújo, em palestra na Usina de Arte, promovida pela SEME, anos atrás. Com certeza não esquecerei jamais e repasso novamente  a você leitor e aos amigos, a  Teoria do Carrapicho!

          Aproveitei o conhecimento adquirido para tirar alguns carrapichos da minha vida!  E você quando vai retirar os seus? 

 Obrigada João! Valeu mesmo!
 Bjokas no coração!

sábado, 27 de outubro de 2018

BRASIL ELEIÇÕES 2018 - POLÍTICA

  VÉSPERAS DE ELEIÇÕES

       Às vésperas da eleição presidencial no Brasil, sinto-me compelida a escrever,  pois para mim é inadmissível ficar calada diante do quadro que hora vivemos. Muitos anos esquerdista, amante da bandeira socialista, defensora das teorias marxistas, me vejo fora do ninho, percebo-me como um peixe fora d'água, um passarinho que caiu do ninho, um cego no escuro:  foram embora os meus sonhos, o que vejo diante dos meus olhos é uma verdadeira tragédia social: a destruição da família, o crescimento da violência e o surgimento do caos coletivo.

     No início da minha vida adulta, quase adolescente aos dezoito anos, conheci pessoas de esquerda, (amigos e professores) ainda na universidade, que  influenciavam e faziam acreditar nas teorias marxistas e  assim como eu, milhões de jovens que sonhavam com a liberdade e a justiça social, lutaram e defenderam partidos de esquerda que nasceram prometendo solidariedade, divisão de bens e comunidade igualitária, numa época de ditadura militar. Só que o sonho virou um pesadelo.

      Na atualidade, para minha infelicidade e de muitos jovens  da época que embalaram-se nessas ideias, foram mortas nossas esperanças ao ver pouco a pouco as famílias deteriorando-se e seus filhos sendo jogados ao vento, sem perspectivas, acolhidos pelo crime organizado ou pela ilusão das drogas. Vinte anos depois, o caos instalou-se no nosso país. Nossa cidadezinha antes pacata, é hoje a capital mais violenta do Brasil, fruto de políticas ineficientes  e segurança de fronteiras, com alto índice de assassinatos, tráfico de drogas e insegurança social. O pavor tomou conta das pessoas de bem que tentam se defender trancando-se em suas residências com cerca elétrica. Os bairros periféricos tem toque de recolher e os que se arriscam a entrar nas periferias à noite, pagam um preço caro por tamanha "audácia."
      O Estado está inchado por excesso de funcionários (quase única fonte de renda) e sua folha de pagamento corre o risco de não ser contemplada. Funcionários do alto escalão ganham rios de dinheiro em detrimento do funcionalismo comum com seus salários minguados e rechaçados pela inflação. Falta atendimento de saúde a contento às pessoas de periferia que morrem nas filas ou nas macas de hospitais enquanto aguardam por  um atendimento médico de qualidade. O sonho transformou-se em tragédia coletiva! E essa realidade espalhou-se pelo Brasil.

   O que fazer diante de tal constatação? Arrisco-me então a escolher o caminho contrário! De um lado o partido que está no poder e de outro um candidato de um partido pequeno, que está se fazendo grande, porém de direita, que defende o capitalismo, tão batido e condenado pelos esquerdistas. Por que uma mudança tão radical? Não vejo outra saída! Ou faço opção por mudança ou apoio tudo que está acontecendo e dou vivas a continuidade desse plano macabro que é a ilusão do socialismo. Devo citar aqui um conteúdo de Demerval Saviani, utilizando-me do veneno que me alimentou na universidade; colocando-o  agora apontando-o para o outro lado: utilizar a teoria da curvatura da vara para explicar essa vontade de mudança tão avassaladora na minha vida e na vida de milhões de pessoas do meu país. Quem sabe assim poderemos voltar ao equilíbrio ou quebrar de vez! Olhando pelo lado do dominado a luta pela hegemonia nos indica o processo inverso: "Trata-se de desarticular dos interesses dominantes aqueles elementos que estão articulados em torno deles, mas não são inerentes à ideologia dominante e rearticulá-los em torno dos interesses dominados" (Saviani, 1980: 10-11). Assim escreveu Saviani a respeito da implantação da Escola Nova e de seus interesses aburguesados. Faço então a seguinte analogia a partir do meu aprendizado. Hoje a burguesia é a esquerda! Por isso a teoria tem que ser usada em sentido contrário. Conseguiu perceber?

Maze Oliver
26 de Outubro de 2018

 





Conheça outras obras da autora: 



http://umpensamentovirtual.com.br (este blog)
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Face book : /maze.oliveira2
CONTATOS: Email:mazeoliver1@gmail.com


  Maze Oliver / Bjokas no coração!

     
     

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

LEITURA E ESCRITA, INSTRUMENTO DE CIDADANIA!

  Texto republicado

 O processo de aquisição da leitura e da escrita  na escola se constitui como importante instrumento de acesso à cidadania das crianças da periferia. Muitas vezes,  a única oportunidade de transposição de classe social.

   A experiência nos confere afirmar que as crianças mais pobres enfrentam mais dificuldades para o aprendizado da leitura e da escrita na escola. Um dos motivos é a falta de acesso ao mundo letrado que  atrasa o processo de alfabetização da criança. Quem chega com mais experiência,  sai na frente!   Os pais trabalham o dia inteiro ou não possuem a cultura da leitura. As famílias além de não terem o hábito de ler, não dispõem de livros, revistas, jornais ou outras fontes de leitura. 

   Muitas vezes, a  fonte privilegiada de informação é a televisão, com conteúdo não selecionado,  que atrapalha mais do que ajuda na educação das crianças.

   Assim sendo, a escola acaba por ser  a oportunidade real de contato com um dos códigos de comunicação, a leitura e a escrita, importante aquisição para o exercício da cidadania na vida adulta. Pois as pessoas instrumentalizadas, pelo código escrito, poderão participar de forma ativa da vida política, social e cultural de sua comunidade, cidade ou país. 
Alunos do Ensino Fundamental do Acre
      
        








   



    Porém,  decifrar  o código somente,  não basta,  precisamos ensinar a  ler as entrelinhas,  o conteúdo que muitas vezes se encontra oculto nos textos. Uma simples historinha ensina muitas vezes de forma não evidente,valores (inclusive morais), princípios ou conceitos, carregados de preconceitos. A escola precisa estar atenta ao que está lendo para suas crianças. Histórias, músicas e  poemas  precisam ser analisados do ponto de vista filosófico, psicológico e social antes de irem para as rotinas didáticas, se é que queremos fazer uma educação diferente. Se não puder trocar,  pode-se fazer a discussão crítica dos textos, com os alunos.


   Uma boa aquisição da leitura e da escrita pode mudar a vida de uma criança. Gostar de ler e de escrever pode ser um refúgio ou uma forma de conhecer o mundo,  sem  mesmo sair da pobreza em que vivem. O mundo fantástico dos variados gêneros textuais, através  das histórias, lendas, contos, crônicas, notícias,  e informações variadas  enfeitarão a vida dessas crianças. Darão fantasia e entusiasmo, além de conhecimento vários, com muitos momentos inesquecíveis de felicidade.  Podendo se constituir no futuro,  um dos  meios de melhorar a qualidade de vida  desses alunos,  através da ascensão social, de uma  forma muito digna.


   Mas, para que isso se efetue na prática, nós educadores precisamos estudar mais, encontrar novas formas e caminhos para fazer as crianças gostarem de aprender. Evitar as formas mecânicas de ensinar, dar um sentido afetivo a leitura e a escrita na escola. É necessário embarcar na fantasia das crianças. "Pertencer" a esse mundo infantil, "ser criança",  junto com elas, por algumas horas do dia. Desprender-se um pouco da hierarquia de ser professor. 

    Rosa Maria  Torres educadora, linguista, jornalista, ativista social e consultora internacional sobre educação, escreveu em seu blog:

http://otra-educacion.blogspot.com.br/2014/12/leer-por-el-gusto-de-leer-la-clave.html

 "Não se trata apenas de ensinar e aprender a ler. Este é ler. E ler com facilidade. 
"Este não é apenas para ler. É também sobre a escrita. E eu faço, também, de bom grado. 
"Para ensinar a ler não só tem que saber ler e aprender a ensinar a ler; você tem que ler.  
"Para ensinar a escrever não só tem que saber escrever e saber ensinar a escrever; você deve escrever.
"Este não é apenas ensinar a ler, mas motivar para a leitura e para criar condições para a leitura independente. "

   E como os pais devem ser parceiros no  processo educativo,  precisamos convidá-los a participar.  Tenho dito a eles: leiam  histórias para seus filhos; perguntem como foi o dia  na escola; brinquem de escola com eles; peçam que sejam seu professor por alguns minutos; tirem pelo menos meia ou uma hora diária  para isso. Você não estará perdendo tempo,  mas ajudando seu filho para a vida toda com esse gesto. 

 Devemos ajudar os pais a compreenderem sua importante tarefa nessa jornada. Mas para isso, é importante também o professor gostar de ler e de escrever,  para poder incentivar os pais e os seus alunos nas atividades do processo de aquisição da leitura e da escrita e principalmente, no gosto por fazê-lo.

Fácil?! Não! Para a escola pública da periferia é um grande desafio. Existem também outros fatores que também contribuem para o fracasso dessa competência. Mas aí já seria um outro texto!

As crianças agradecem!
   No entanto,  se houver esforço, saberemos que nossas vidas  não foram em vão, que viemos aqui contribuir para um mundo melhor e mais justo.




                            Maze Oliver   /   Bjokas no coração!