segunda-feira, 28 de setembro de 2026

POEMA - As sete lições de uma análise

 

Imagem de Maze Oliver

AS SETE LIÇÕES DE UMA ANÁLISE

Por Maze Oliver 

 

Descobri quem eu sou e com certeza

sou muito diferente do que pensava,

melhor do que imaginaria

 e muito pior do que eu NÃO gostaria de ser.

 

Coloquei no "palco" todo meu sofrimento

e confesso que doeu muito, mas o alívio de fazer isso,

foi muito mais benéfico do que guardá-los só para mim.

 

Aprendi que proteger os filhos de tudo

e de todas as mazelas da vida,

antes de ajudá-los, torna-os dependentes e inseguros.

Melhor deixá-los livres para errar, 

aprender e formar seus próprios conceitos sobre a vida

e sobre eles mesmos

e que encarcerá-los no pseudo "amor materno"

é mais controle do que amor e dizia mais respeito a mim que a eles.

 

Descobri que minha mãe era muito sábia

e que eu hoje gostaria de ter sido um pouco do que ela foi como mãe,

pois os acertos dela foram muito mais proveitosos que os meus.

 

Entendi o amor não como um sentimento,

mas uma energia ou força vibracional que impulsiona para o bem.

Porém, ele também pode ser muito perigoso por sua fortaleza e altruísmo.

 

Percebi que a nossa mente pode nos enganar,

criando como realidade uma ilusão que defenderemos ser verdadeira

 e que cabe a nós criarmos coragem para enfrentar a verdade sobre nós mesmos.

 

Compreendi que nunca conhecemos tudo sobre nada

e nem sobre nós mesmos, 

pois assim como o rio que corre sempre com novas águas, 

nós sempre estaremos nos renovando,

descobrindo do que somos capazes,

muitas vezes da maneira mais dolorosa e covarde.

Porém, apesar da dor de viver,

acordar todos os dias e ser consciente de quem eu sou hoje,

é o melhor para mim enquanto ser humano, nesse momento.

 

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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

OS CONTOS DE FADAS - Por Maze Oliver

 

OS CONTOS DE FADAS 

(Os três porquinhos/ Chapeuzinho Vermelho)

Por Maze Oliver

Imagem da NET

   Na Psicanálise dos contos de fadas, as histórias nos ensinam as mais variadas lições. Aqui comento brevemente sobre dois deles: Os três porquinhos e Chapeuzinho Vermelho. 

  O conto, os três porquinhos - na origem medieval retrata sobre o desenvolvimento da personalidade da criança: o princípio do prazer - dominação das forças do inconsciente - o combate ao nosso lobo interior - princípio da realidade - a lei da sobrevivência.

   Na versão antiga, o lobo devora os dois primeiros porquinhos demonstrando que quem não planeja, trabalha e se esforça, perece literalmente nas dificuldades da vida. A história mostra intencionalmente, o jogo de poder interior em nós e com os outros. Versões mais atuais nos apontam de maneira clara, a rivalidade com o EU interior e também com o outro (na música: Quem tem medo do lobo mau?) bem como, a força das contradições sociais, entre o ter menos e o ter mais e o poder astuto da inteligência. 

   O conto Chapeuzinho Vermelho fala do desejo latente pelo desconhecido (símbolo: LOBO) - as manobras do eu interior. Antigamente as histórias infantis eram muito mais trágicas. Na versão antiga o lobo devora a vovozinha e a chapeuzinho sem nenhuma piedade. Depois, os contos foram se modernizando, porém sua essência continua igual. A história da Chapeuzinho, retrata a grande luta da adolescência entre a obediência e o primeiro contato com o prazer, ainda proibido, ou ainda o abuso sexual eminente ou ocorrido. 

   Todos os contos trazem grande conteúdo implícito, incitando nas crianças a imaginação, resultando em soluções inconscientes para os maiores conflitos interiores comuns do ser humano. Mesmo sem precisar explicar às crianças sobre o conteúdo psicólogo e social implícito, os contos de fadas ensinam a elas de forma inconsciente grandes lições sobre o crescimento pessoal e o jogo de poder da inteligência.

   Na literatura psicanalítica Bruno Bettelheim nos ensina no livro A Psicanálise dos contos de fadas, sobre o poder mágico dos contos no desenvolvimento pessoal, psicológico e consequentemente social. Literatura indicada para professores, profissionais da área e pais. 

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Maze Oliver

Orientadora Educacional, Pedagoga e Psicanalista Clínica.

 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

CRÔNICA - As estações da mesma árvore

 

Arte produzida na Net

As estações da mesma árvore

Por Maze Oliver

Há dias em que acreditamos ser uma árvore em pleno verão. As folhas dançam ao vento, os frutos amadurecem, os pássaros fazem morada em nossos galhos e até o céu parece conspirar a favor. Então, sem pedir licença, o inverno chega.

E ele nunca bate à porta.

Entra pelos corredores da alma, apaga algumas luzes, dobra nossos joelhos e nos obriga a descobrir se as raízes são mesmo profundas ou apenas bonitas de fotografar.

Às vezes, sinto ou pessoas me perguntam, com um certo espanto:

— Mas você não é psicanalista?

Sou.

E justamente por isso sei que nenhum conhecimento transforma um ser humano em pedra. A teoria não imuniza ninguém contra o sofrimento. Diplomas não suspendem lágrimas. Livros não impedem o coração de estremecer.

Quem cuida da dor alheia também conhece o peso da própria dor.

Nas redes sociais quase sempre aparecemos sorrindo. A fotografia congela um instante de luz, mas nunca revela a tempestade inteira. Há sorrisos sustentados pela mesma coragem com que se sustentam edifícios rachados: de pé por fora, enquanto silenciosamente reorganizam suas colunas por dentro.

Nas últimas semanas a vida resolveu atravessar minha porta vestida de sombra.

Quase perdi minha filha mais nova. Uma cirurgia inesperada, dois dias de UTI, horas que pareciam anos. Hoje, pela infinita misericórdia de Deus, ela se recupera e contempla sua pequenina filha, como quem renasce duas vezes.

Ao mesmo tempo, outros frutos enfrentam a longa travessia da Depressão. E eis um dos maiores paradoxos da minha existência: sou profissional da saúde mental, mas continuo sendo mãe. Posso orientar. Posso acolher. Posso caminhar ao lado. Mas não posso percorrer o caminho por ninguém.

Há dores que nem o amor consegue carregar no lugar do outro.

Talvez seja essa a maior lição da impotência.

A vida nunca prometeu permanência. Ela alterna claridade e eclipse, nascimento e despedida, encontros e ausências. Somos feitos da mesma matéria das marés: avançamos, recuamos, quebramos e voltamos.

Mas confesso...

Há sombras que pesam.

E como pesam.

Carrego cicatrizes antigas. Cresci observando minha mãe lutar contra um transtorno bipolar. Durante muito tempo imaginei que, se estudasse o suficiente, encontraria a chave capaz de libertá-la de seu sofrimento.

Foi essa esperança que me conduziu aos livros da Psicologia, da Psicanálise e ao estudo incansável da mente humana.

Descobri, porém, uma verdade difícil: existem batalhas nas quais o amor não vence sozinho.

E essa descoberta me feriu profundamente.

Durante anos caminhei de mãos dadas com a melancolia. Fiz terapia. Fiz psicanálise. Aprendi a reconhecer seus passos antes que ela batesse à porta. Hoje ela já não governa minha casa, mas ainda conhece o endereço.

Quando a vida desfere golpes mais fortes, ela aparece na esquina da alma, como uma antiga visitante perguntando se ainda pode entrar.

Nem sempre respondo com a mesma firmeza.

E tudo bem.

Porque força nunca significou ausência de fragilidade.

Significou permanecer caminhando apesar dela.

Em 2020 quase perdi meu marido para a COVID-19. Perdi parentes, amigos. Foi uma experiência dolorosa, deixou perdas e traumas. Pensei que a vida já havia me ensinado tudo sobre despedidas. Descobri que ela sempre guarda novas páginas.

Ainda assim...

Continuo acreditando.

Acredito que nenhuma noite convence o sol a desistir de nascer.

Acredito que as árvores aparentemente secas continuam preparando a primavera em silêncio.

Acredito que Deus também trabalha quando nossos olhos já não conseguem enxergar a estrada.

Hoje não escrevo como quem oferece respostas.

Escrevo como quem acende uma pequena lanterna para lembrar que todos nós atravessamos túneis.

Somos feitos de amor e de raiva.

De coragem e de medo.

De fé e de dúvida.

De vitórias e de cansaços.

Somos luz, mas também somos sombra. E não existe vergonha alguma nisso. A árvore não deixa de ser árvore quando perde suas folhas; apenas aprende outra forma de permanecer viva.

Quanto a mim...

Continuarei caminhando.

Ao lado da minha família 

Da psicanálise 

Da minha fé.

Das minhas cicatrizes.

E também da esperança.

Porque aprendi que viver não é escapar das tempestades.

É criar raízes profundas o bastante para que, depois de cada vendaval, ainda seja possível florescer.

 

BIOGRAFIA:

Escritora: cronista, contista, poetisa

Formada em Pedagogia e pós-graduada em Ensino Infantil e Fundamental pela Universidade Federal do Acre (UFAC). Psicanalista Clínica - CBPC 2022-668.

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