ATAQUE DE PÂNICO
Esse relato pode ser muito valioso para outras pessoas, porque ele vem de alguém que viveu a experiência e conseguiu atravessá-la usando recursos de autorregulação. Eis a experiência:
QUANDO O PÂNICO BATE À PORTA
Recentemente vivi minha primeira
experiência de Ataque de Pânico. Embora eu seja psicanalista e conheça os
mecanismos da ansiedade, estar do outro lado da experiência foi algo
completamente diferente.
O ataque de pânico é uma
resposta intensa do organismo diante de uma situação percebida como ameaça. Nem
sempre existe um perigo real e imediato, mas o cérebro interpreta que algo
muito grave pode acontecer e aciona os mecanismos de sobrevivência. O coração
acelera, a respiração se altera, surgem tremores, sensação de fraqueza, falta
de ar, dores abdominais, náuseas e, muitas vezes, o medo de perder o controle.
O pânico costuma estar
profundamente relacionado à sensação de impotência. Ele aparece quando nos
deparamos com circunstâncias que parecem escapar das nossas mãos, especialmente
quando envolvem pessoas que amamos.
Foi exatamente isso que
aconteceu comigo.
Durante uma crise emocional de
minha filha, que vive uma gestação de risco, fui tomada por um medo intenso de
que algo grave pudesse acontecer. Eu tentava ajudá-la, acalmá-la, encontrar uma
solução, mas sentia que estava perdendo o controle da situação.
Então:
Primeiro veio um frio na minha
barriga. Em seguida, uma forte dor abdominal. A sensação crescia em ondas cada
vez mais intensas. Comecei a sentir dificuldade para respirar, fraqueza e um
desconforto tão grande que tive a impressão de que, se não conseguisse
interromper aquele processo, perderia completamente o controle, talvez
desmaiaria.
Naquele momento percebi o que
estava acontecendo: Era um ataque de pânico!
Em vez de alimentar o medo,
decidi agir.
Comecei a controlar a
respiração, mesmo com dificuldade. Respirei lenta e conscientemente, lembrando
a mim mesma que aquilo iria passar. Passei a conversar comigo mesma de forma
firme e acolhedora, repetindo que eu conseguiria sair daquela situação.
Também utilizei recursos físicos
para ajudar o cérebro a mudar o foco da ameaça. Fiz massagens atrás das orelhas
e com as pontas dos dedos no rosto, estimulando regiões que me ajudavam a
relaxar e a trazer a atenção para o momento presente. Lembrei ainda da técnica
da água gelada, você põe seu rosto numa bacia de agua gelada, técnica muito utilizada para ajudar a interromper a escalada do pânico. Seria minha próxima ação, embora naquele momento eu não tenha precisado chegar a utilizá-la. As ondas do medo cessaram antes disso.
Pouco a pouco, os sintomas
começaram a diminuir. O episódio durou cerca de vinte minutos. Quando terminou,
restaram apenas o cansaço físico e um desconforto intestinal que foi melhorando
gradualmente durante o restante do dia.
Essa experiência me ensinou algo
importante: o pânico é extremamente assustador, mas ele passa. O corpo reage
como se estivéssemos diante de um perigo iminente, mas é possível ajudá-lo a
reencontrar o equilíbrio.
Respirar conscientemente, falar
consigo mesmo de maneira acolhedora, estimular o corpo através de técnicas de
relaxamento e lembrar que a crise tem começo, meio e fim, são atitudes que podem
fazer grande diferença.
Hoje compartilho esse relato
para que outras pessoas saibam que não estão sozinhas. Se você já passou ou
vier a passar por uma crise de pânico, lembre-se: você não é a crise. Ela não
define quem você é. Com apoio, conhecimento e estratégias adequadas, é possível
atravessar esse momento e recuperar o controle de si mesmo.
Eu consegui. E nunca mais vou ter outra crise dessa. Entendi que não podemos controlar a vida e em alguns momentos devemos deixar que ela siga seu curso. você também pode conseguir! Também vou voltar correndo para minha psicanalista revisora, porque um psicanalista não pode parar a análise nunca.
Você pode compartilhar esse texto de relato pessoal para ajudar na conscientização.
Ele transmite informação, acolhimento e esperança sem minimizar a intensidade da experiência.
Maria José da Silva Oliveira (Maze Oliver)
BIOGRAFIA:
Escritora: cronista, contista, poetisa
Formada em Pedagogia e pós-graduada em Ensino Infantil e Fundamental
pela Universidade Federal do Acre (UFAC). Psicanalista Clínica - CBPC 2022-668.
Se você gostou, compartilhe com outras pessoas que possam precisar dessas dicas.
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