sábado, 20 de junho de 2026

ATAQUE DE PÂNICO - O que fazer?



ATAQUE DE PÂNICO 

Esse relato pode ser muito valioso para outras pessoas, porque ele vem de alguém que viveu a experiência e conseguiu atravessá-la usando recursos de autorregulação. Eis a experiência:

QUANDO O PÂNICO BATE À PORTA

Recentemente vivi minha primeira experiência de Ataque de Pânico. Embora eu seja psicanalista e conheça os mecanismos da ansiedade, estar do outro lado da experiência foi algo completamente diferente.

O ataque de pânico é uma resposta intensa do organismo diante de uma situação percebida como ameaça. Nem sempre existe um perigo real e imediato, mas o cérebro interpreta que algo muito grave pode acontecer e aciona os mecanismos de sobrevivência. O coração acelera, a respiração se altera, surgem tremores, sensação de fraqueza, falta de ar, dores abdominais, náuseas e, muitas vezes, o medo de perder o controle.

O pânico costuma estar profundamente relacionado à sensação de impotência. Ele aparece quando nos deparamos com circunstâncias que parecem escapar das nossas mãos, especialmente quando envolvem pessoas que amamos.

Foi exatamente isso que aconteceu comigo.

Durante uma crise emocional de minha filha, que vive uma gestação de risco, fui tomada por um medo intenso de que algo grave pudesse acontecer. Eu tentava ajudá-la, acalmá-la, encontrar uma solução, mas sentia que estava perdendo o controle da situação.

Então: 

Primeiro veio um frio na minha barriga. Em seguida, uma forte dor abdominal. A sensação crescia em ondas cada vez mais intensas. Comecei a sentir dificuldade para respirar, fraqueza e um desconforto tão grande que tive a impressão de que, se não conseguisse interromper aquele processo, perderia completamente o controle, talvez desmaiaria. 

Naquele momento percebi o que estava acontecendo: Era um ataque de pânico! 

Em vez de alimentar o medo, decidi agir.

Comecei a controlar a respiração, mesmo com dificuldade. Respirei lenta e conscientemente, lembrando a mim mesma que aquilo iria passar. Passei a conversar comigo mesma de forma firme e acolhedora, repetindo que eu conseguiria sair daquela situação.

Também utilizei recursos físicos para ajudar o cérebro a mudar o foco da ameaça. Fiz massagens atrás das orelhas e com as pontas dos dedos no rosto, estimulando regiões que me ajudavam a relaxar e a trazer a atenção para o momento presente. Lembrei ainda da técnica da água gelada, você põe seu rosto numa bacia de agua gelada, técnica muito utilizada para ajudar a interromper a escalada do pânico. Seria minha próxima ação, embora naquele momento eu não tenha precisado chegar a utilizá-la. As ondas do medo cessaram antes disso. 

Pouco a pouco, os sintomas começaram a diminuir. O episódio durou cerca de vinte minutos. Quando terminou, restaram apenas o cansaço físico e um desconforto intestinal que foi melhorando gradualmente durante o restante do dia. 

Essa experiência me ensinou algo importante: o pânico é extremamente assustador, mas ele passa. O corpo reage como se estivéssemos diante de um perigo iminente, mas é possível ajudá-lo a reencontrar o equilíbrio.

Respirar conscientemente, falar consigo mesmo de maneira acolhedora, estimular o corpo através de técnicas de relaxamento e lembrar que a crise tem começo, meio e fim, são atitudes que podem fazer grande diferença.

Hoje compartilho esse relato para que outras pessoas saibam que não estão sozinhas. Se você já passou ou vier a passar por uma crise de pânico, lembre-se: você não é a crise. Ela não define quem você é. Com apoio, conhecimento e estratégias adequadas, é possível atravessar esse momento e recuperar o controle de si mesmo.

Eu consegui. E nunca mais vou ter outra crise dessa. Entendi que não podemos controlar a vida e em alguns momentos devemos deixar que ela siga seu curso. você também pode conseguir! Também vou voltar correndo para minha psicanalista revisora, porque um psicanalista não pode parar a análise nunca.

Você pode compartilhar esse texto de relato pessoal para ajudar na conscientização. 

Ele transmite informação, acolhimento e esperança sem minimizar a intensidade da experiência. 

Maria José da Silva Oliveira (Maze Oliver)

BIOGRAFIA:

Escritora: cronista, contista, poetisa

Formada em Pedagogia e pós-graduada em Ensino Infantil e Fundamental pela Universidade Federal do Acre (UFAC). Psicanalista Clínica - CBPC 2022-668.

Se você gostou, compartilhe com outras pessoas que possam precisar dessas dicas.



SE

 


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