sábado, 14 de setembro de 2019

LEITURA E ESCRITA, INSTRUMENTO DE CIDADANIA!

Texto republicado

 O processo de aquisição da leitura e da escrita  na escola se constitui como importante instrumento de acesso à cidadania das crianças da periferia. Muitas vezes,  a única oportunidade de transposição de classe social.

   A experiência nos confere afirmar que as crianças mais pobres enfrentam mais dificuldades para o aprendizado da leitura e da escrita na escola. Um dos motivos é a falta de acesso ao mundo letrado que  atrasa o processo de alfabetização da criança. Quem chega com mais experiência,  sai na frente!   Os pais trabalham o dia inteiro ou não possuem a cultura da leitura. As famílias além de não terem o hábito de ler, não dispõem de livros, revistas, jornais ou outras fontes de leitura. 

   Muitas vezes, a  fonte privilegiada de informação é a televisão, com conteúdo não selecionado,  que atrapalha mais do que ajuda na educação das crianças.

   Assim sendo, a escola acaba por ser  a oportunidade real de contato com um dos códigos de comunicação, a leitura e a escrita, importante aquisição para o exercício da cidadania na vida adulta. Pois as pessoas instrumentalizadas, pelo código escrito, poderão participar de forma ativa da vida política, social e cultural de sua comunidade, cidade ou país. 
Alunos do Ensino Fundamental do Acre
      
        








   



    Porém,  decifrar  o código somente,  não basta,  precisamos ensinar a  ler as entrelinhas,  o conteúdo que muitas vezes se encontra oculto nos textos. Uma simples historinha ensina muitas vezes de forma não evidente,valores (inclusive morais), princípios ou conceitos, carregados de preconceitos. A escola precisa estar atenta ao que está lendo para suas crianças. Histórias, músicas e  poemas  precisam ser analisados do ponto de vista filosófico, psicológico e social antes de irem para as rotinas didáticas, se é que queremos fazer uma educação diferente. Se não puder trocar,  pode-se fazer a discussão crítica dos textos, com os alunos.


   Uma boa aquisição da leitura e da escrita pode mudar a vida de uma criança. Gostar de ler e de escrever pode ser um refúgio ou uma forma de conhecer o mundo,  sem  mesmo sair da pobreza em que vivem. O mundo fantástico dos variados gêneros textuais, através  das histórias, lendas, contos, crônicas, notícias,  e informações variadas  enfeitarão a vida dessas crianças. Darão fantasia e entusiasmo, além de conhecimento vários, com muitos momentos inesquecíveis de felicidade.  Podendo se constituir no futuro,  um dos  meios de melhorar a qualidade de vida  desses alunos,  através da ascensão social, de uma  forma muito digna.


   Mas, para que isso se efetue na prática, nós educadores precisamos estudar mais, encontrar novas formas e caminhos para fazer as crianças gostarem de aprender. Evitar as formas mecânicas de ensinar, dar um sentido afetivo a leitura e a escrita na escola. É necessário embarcar na fantasia das crianças. "Pertencer" a esse mundo infantil, "ser criança",  junto com elas, por algumas horas do dia. Desprender-se um pouco da hierarquia de ser professor. Também os professores precisam gostar de ler e escrever.

    Rosa Maria  Torres educadora, linguista, jornalista, ativista social e consultora internacional sobre educação, escreveu em seu blog:

http://otra-educacion.blogspot.com.br/2014/12/leer-por-el-gusto-de-leer-la-clave.html

"Para ensinar a ler não só tem que saber ler e aprender a ensinar a ler; você tem que ler.  
"Para ensinar a escrever não só tem que saber escrever e saber ensinar a escrever; você deve escrever.
"Este não é apenas ensinar a ler, mas motivar para a leitura e para criar condições para a leitura independente. "

   E como os pais devem ser parceiros no  processo educativo,  precisamos convidá-los a participar.  Tenho dito a eles: leiam  histórias para seus filhos; perguntem como foi o dia  na escola; brinquem de escola com eles; peçam que sejam seu professor por alguns minutos; tirem pelo menos meia ou uma hora diária  para isso. Você não estará perdendo tempo,  mas ajudando seu filho para a vida toda com esse gesto. 

 Devemos ajudar os pais a compreenderem sua importante tarefa nessa jornada. Mas para isso, é importante também o professor gostar de ler e de escrever,  para poder incentivar os pais e os seus alunos nas atividades do processo de aquisição da leitura e da escrita e principalmente, no gosto por fazê-lo.

Fácil?! Não! Para a escola pública da periferia é um grande desafio. Existem também outros fatores que também contribuem para o fracasso dessa competência. Mas aí já seria um outro texto!

As crianças agradecem!
   No entanto,  se houver esforço, saberemos que nossas vidas  não foram em vão, que viemos aqui contribuir para um mundo melhor e mais justo.


                            Maze Oliver   /   Bjokas no coração!

Membra da Sociedade Literária Acreana (SLA)
Membra da Academia Internacional de Cultura (RJ)
Membra fundadora da Federação de Letras e Artes do Estado do Acre (FALA-AC)
Aguardando posse na Academia Acreana de Letras (AAL)

      

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

QUER SER FELIZ?

TEXTO PARA REFLEXÃO
Autor: desconhecido

Uma mulher que trabalhava num banco havia muitos anos, caiu em desespero.
Estava depressiva, com esgotamento nervoso.
Seu médico, buscando um diagnóstico, lhe perguntou:
- Como se chama a jovem que trabalha ao seu lado no banco?
- Cíntia, respondeu a mulher, sem entender.
- Cíntia do quê?
- Eu não sei.
- Sabe onde ela mora?
- Não.
- O que ela faz?
- Também não sei.
O médico entendeu que o egoísmo estava roubando a alegria daquela pobre mulher.
- Posso ajudá-la, mas você tem que prometer que fará o que eu lhe pedir.
- Farei qualquer coisa! Afirmou ela.
- Em primeiro lugar, -faça amizade com a Cíntia.
Convide-a para jantar em sua casa.
Descubra o que ela está almejando na vida, e faça alguma coisa para ajudá-la.
- Em segundo lugar, - faça amizade com seu jornaleiro e a família dele, e veja se pode fazer alguma coisa para ajudá-los.
- Em terceiro, faça amizade com o zelador de seu prédio e descubra qual é o sonho da vida dele.
- Em dois meses, volte para me ver.
Ao fim de dois meses, ela não voltou, mas escreveu uma carta sem sinal de melancolia ou tristeza.
Era só alegria!
Havia ajudado Cíntia a passar no vestibular;
Ajudou a cuidar de uma filha doente do jornaleiro;
Ensinou o zelador a ler e escrever, pois era analfabeto.
"Nunca imaginei que pudesse sentir alegria desta maneira!", escreveu ela.
Os que vivem apenas para si mesmos, nunca encontrarão a paz e a alegria, pois somos chamados por Deus para ser bênçãos na vida dos outros.
Você já conhecia este segredo?
Pense nisso !!! lindo  texto 😍

segunda-feira, 15 de julho de 2019

CULTURA URGENTE!


    CULTUANDO O ACRE

    Cultura significa cultuar algo, complexo ou conjunto, que inclui o conhecimento da língua, arte, crença, lei, moral e costumes de uma sociedade. Obviamente cada lugar tem sua própria cultura e a cultura acreana é marcada por suas manifestações na culinária, nos hábitos, na hospitalidade e no alto grau de acreanismo, porém vem sendo modificada através dos tempos por incluir valores e aspectos de outras culturas.
   O Acre, cujo nome surgiu de Aquiri, na língua dos índios Apurinãs, "rio dos jacarés", vem lutando para conservar sua cultura, resistindo aos bombardeios culturais da TV e da  internet,  como resultado da globalização. Conhecido nos últimos anos, como uma comunidade que tem sua luta focada na preservação da "Florestania "; afinal de contas o estado possui milhões de hectares de floresta tropical, representando simplesmente parte da maior biodiversidade da terra. Por isso, nosso Acre merece cuidados!
  Refletindo: nada mais é tão destrutivo a um povo do que a morte de sua cultura, o esquecimento de sua origem, o colapso cultural. O que temos no Acre, como prato do dia, é que pouco a pouco a cultura acreana vem se modificando, readaptando-se a outras culturas, que não são nossas. Muito sério e preocupante ver nossos patrimônios  culturais abandonados ou no desuso e ociosidade.
   Que bom seria se pudéssemos resgatar nossa história, valores, sonhos e a forma de viver a vida de antes, para conservar a mente do povo mais saudável e criativa, livre das prisões culturais externas, das amarras do consumismo desenfreado do sistema econômico. Isso seria fundamental para a sobrevivência do nosso acervo cultural e da identidade do acreano ou acriano (com queiram), pois nos tornamos outro povo: robotizado e envolvido num mundo cultural importado que ao longo do tempo  foi se  construindo e recriando  nossa cultura e valores. Qual o melhor Acre para se viver? O de ontem ou o de hoje? E o que o Estado fez/faz para valorizar nossa cultura?
    Sabemos que não podemos voltar atrás, mas é importante fortalecer a literatura acreana, potencializar os trabalhos artísticos, apoiar os agentes culturais. Nesse aspecto podemos cobrar a responsabilidade do poder estatal em gerir políticas públicas: descentralizando recursos e investimentos na área cultural, pois com o esquecimento da cultura caminhamos para um abismo sem fundo, onde breve seremos  "desculturados" e seguidores de quaisquer "música", ordem e servos de qualquer senhor. Ou seja: No nosso corpo vivo habitará uma alma morta!