terça-feira, 7 de novembro de 2017

MEMÓRIAS DE MARIA - A PRIMEIRA BONECA -TEXTO 5

MINHA  PRIMEIRA BONECA  - TEXTO 5
por Maze Oliver

      Em meados do ano 1964, o BRASIL vivia o golpe da Ditadura Militar, a crise política afetava todas as áreas. No Acre, lugar longíncuo, era pior ainda. Em Rio Branco, a capital, o comércio não era lá essas coisas. O centro da cidade à beira do rio Acre, com suas lojinhas, poucas novidades apresentavam. Se hoje, já não temos muitas coisas, imaginem nessa época. 
      Eu, na minha inocente infância, sonhava com uma BONECA DE CABELO, sim, porque as que já havia possuído os cabelos eram​ plásticos.Os cabelos não, a imitação dos cabelos! Uma boneca assim moderna, era sonho. Mesmo pra outras crianças ricas,  era novidade. Além de ser muito cara, fora do alcance da situação financeira da minha família, sem contar a dificuldade para  encontrar bonecas assim no comércio local.
      Num passeio com minha mãe e avó, fizemos uma visita que me rendeu a realização do meu sonho. Na casa de um rico médico da cidade, após ouvir​ quieta no meu canto, os adultos conversarem sobre política e se dividirem entre a favor e contra ao golpe que também atingiu a política no Acre, não lembro qual a relação dos meus parentes com a família, mas que a conversa fora muito chata, isso eu lembro!
      Ao sairmos da casa eu vi uma boneca linda com cabelos loiros e olhos azuis, ao lado do vaso para lixo! É uma ideia me veio a cabeça imediatamente.Pedir o brinquedo a minha avó. Porque não ?! Iria para o lixo! Mas minha avó nos seus mais honestos brios, pediu a dona da casa, a boneca. Saí do local muito feliz levando nos braços o meu sonho. Ela não era bem o brinquedo perfeito para as crianças daquela casa, pois não tinha mais nem braços e nem pernas.Mas, para mim, que sonhava com uma princesa daquelas, ela estava perfeita demais.
      Em casa, foi uma verdadeira festa. Minha avó que sempre me cobriu com mimos e que jamais vou esquecer, pois foi para mim, toda a referência de carinho e amor que recebi na infância, depois de lavar e tratar os cabelos da boneca, lhe fez uns braços e umas pernas com panos e um dia aproveitando a saída da mamãe, me fez vários vestidos lindos para ela. Batizamos juntas a PRINCESA e brincamos de casinha muitas vezes. Quem não ficou muito feliz foi a minha mãe, quando descobriu que minha avó havia cortado seu vestido de casamento, para costurar as roupinhas da boneca.
      Eu nunca vou esquecer a PRINCESA. Suas pernas e braços de panos, nem de longe puderam impedir-me de sonhar e ser feliz, mesmo num tempo de pobreza e total insegurança social e política que vivíamos na época e que eu silenciosamente acompanhei, ao ouvir as conversas de meu pai reclamando da renúncia do governador na época, pressionado por pactos e conflitos políticos, não muito diferente do que vivemos hoje.
ASSINA MARIA

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                            Bjokas no Coração!

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

MEMÓRIAS DE MARIA - TEXTO 4


PRIMEIRA REBELDIA

Por Maze Oliver



      Minha mãe com pena do itinerário que eu fazia para estudar na zona rural, tirou-me da escola e resolveu alfabetizar-me em casa mesmo. No ano seguinte,  mandou-me pra morar na casa de uma prima na cidade. Fui matriculada numa grande escola. Nela estudavam filhos de fazendeiros, médicos, seringalistas, ou seja filhos de classe mais abastada.Uma escola de rico.Para mim, um castelo!

      Ah, porque aquela escola era e ainda é, "um palacete". Sua arquitetura protomoderna de  tendências da Art Deco, com características de valorização da simetria e elementos geométricos está vinculada a um conjunto de manifestações artísticas que se propagaram a partir dos anos 20 e tornaram-se muito popular no Brasil, após os anos 30.
     Seus grandes corredores, as muitas salas, os jardins, a capela, toda aquela pompa contribuiu para que eu a visse como um lindo "castelo", totalmente ao contrário da minha outra escola, de apenas uma sala com varanda. Não tinha como eu, uma humilde garotinha da colônia (interior), não ficar totalmente deslumbrada. Por isso me pego ainda hoje, mulher adulta, a gostar loucamente de castelos. E quem eram aquelas mulheres? Vestidas com roupas misteriosas que  mostravam  somente o rosto, encantaram-me. Senti-me  como uma princesa num lugar de encanto,  nos primeiros dias de aula...

      Na casa da prima de minha mãe, por sinal próxima à minha nova escola,  tudo corria muito bem, exceto na hora da janta. A prima de mamãe tinha uma especialidade na cozinha. Sopa de carne desfiada. Eu era convidada à noite para tomar a tal sopa! Gente, a sopa era tão ruim, tão ruim... Que eu não conseguia engolir. Ela causava-me enjoos! Na verdade, não sei se era a sopa ruim  ou o meu paladar que não simpatizava com ela. Então eu empurrava o prato! Mas, a prima não aceitava minha recusa e eu...Coitada de mim, era obrigava a engolir toda a sopa entre enguios, que não esqueçi até hoje! 

    Mas a primeira rebeldia mesmo aconteceu na escola.Eu já sabia ler,  mas fui matriculada na alfabetização. Minha professora uma mulher muito bacana e muito dedicada, começou a me olhar de lado porque eu não escrevia nada e o caderno estava sempre limpo. Ao questionar-me sobre o porquê de não fazer as tarefas, respondi que já sabia de tudo e que não queria escrever. Não preciso dizer que as lições eram as repetições das famílias silábicas e que para uma criança que já lê, realmente era um exercício enfadonho e sem a menor motivação. Minha mãe foi chamada na escola e eu levei a primeira bronca. Porém, depois desse episódio fizeram um teste comigo e já passei direto para o primeiro ano. De certa forma posso avaliar minha primeira rebeldia como algo positivo pois me conduziu a um avanço de série.

 ASSINA MARIA

 

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

MEMÓRIAS DE MARIA - TEXTO - 3

O MEU PRIMEIRO NAMORO
Memórias de Maria
Por Maze Oliver
Após alguns meses indo à escola com o mesmo vestidinho azul, iniciaram as perguntas maldosas das filhinhas de papai que tinham vários guarda-roupas e trocavam-os a cada estação do ano.Cada aula era um verdadeiro desfile de moda, inspiradas nas viagens que faziam de férias com suas famílias ricas.
- Você não tem outros vestidos??? Vem sempre com esse!
Comecei a ficar constrangida e a partir daí, o dia de ir pra escola sem a farda, virou um verdadeiro tormento. Já ia dormir pensando. Então resolvi usar mais o segundo vestido, que era um de estampa miúda, de fundo vermelho, que realçava bem minhas curvas.
Com esse vestido conquistei aos doze anos meu primeiro namorado. Ele era lindo, de cabelos lisos e negros. Um dos garotos mais lindos e mais cobiçados do bairro. De família rica, andava sempre muito bem vestido, um charme! Senti uma espécie de poder ainda não experimentado! A própria mulher maravilha... Não conseguia pensar em outra coisa. Eu, logo eu, consegui marcar um encontro com o garoto mais lindo, mais charmoso! Todas aquelas garotas agora iriam ficar com inveja. Gente, namoro adolescente realmente atrapalha a escola! Não sabemos nessa idade lidar com as paixões, tudo fica muito maior. Na verdade, paixão é um sentimento difícil de lidar em qualquer idade, convenhamos!
No dia do encontro, que foi num arraial da igreja católica, tudo estava mais bonito para mim. As barracas enfeitadas com bandeirinhas coloridas. O animador lendo aqueles recadinhos românticos no microfone, tendo como fundo musical os sucessos nordestinos da época. As pessoas passeando, os namorados de mãos dadas. Era junho de 1972, Rio Branco muito diferente de hoje, não havia a violência desenfreada que vivemos atualmente; as pessoas iam e vinham de seus lazeres com alegria, tranquilas. Eu mesma, fui com uma tia mais nova que eu ao Arraial, minha mãe deixava. Ela por ser mais nova dois anos, acreditava nos meus devaneios. Na hora em que Joelzinho chegou minha tia foi para barraca da pescaria. Querem saber como foi o encontro????
Aguardem, daqui a pouco eu concluo... Não esqueçam...Estou doente e de vez em quando preciso parar.... Tomar rémedio.... RS.
Gente, meu sonhado namoro durou contados 15 minutos. Lá se foram todos os meus sonhos com beijos, olhares românticos... Sim, na época da minha juventude, os namoros existiam. Eram só​ beijos e olhares...No máximo uma ou outra carícia mais indiscreta, do investidor masculino, que eram seguidas de um NÃO bem grande e sonoro!
A culpa não foi do garoto! E foi, né??? Eu nunca tinha namorado, era marinheira de primeira viagem. Eu primeiramente fiquei olhando pra ele...Ele...Gente, como era lindo, assim de pertinho! Então fiquei muda! Ele começou a falar comigo...Mas eu nem ouvia... Só olhava... Olhava...Olhava...Sei que falou muitas coisas....Esperava eu responder...Falava mais! Como era lindo!!! Quanto mais ele falava mais eu achava ele lindo!!! Ele me pediu um beijo! Então eu que estava muda...Virei estátua!!! Acho que é por isso que gosto de estátuas até hoje!!!! Sabem o que ele fez???? Virou as costas para mim e foi embora!!!! Nunca mais olhou na minha cara! Essa foi minha primeira decepção.
ASSINA MARIA.

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Bjokas no coração!

sábado, 14 de outubro de 2017

MEMÓRIAS DE MARIA - TEXTO 2

MEMÓRIAS  de MARIA
Por Maze Oliver

PRIMEIRA ESCOLA DE MARIA



      Eu era bem pequena, sete anos, na minha infância as crianças entravam na escola nessa idade. Não lembro se a escola era madeira ou alvenaria, mas era pequena, uma sala só! A professora também uma só. Não lembro o nome dela, que pena! Minha mãe disse-me que o nome dela era Alice. Não precisa nem dizer que era na Zona Rural. Sim, porque morávamos na colônia,  muito distante, alguns quilômetros da escola. Eu gostava muito de ir à aula. Era uma verdadeira aventura! 
      Como eu não podia ir sozinha, meus pais me mandavam pra outra colônia onde morava um tio meu com sua família: A tia Jô e o Tio Daniel. Para chegar na tal colônia dos meus tios, a minha avó paterna me levava por dentro da mata, ainda de dia. Esse passeio durava algumas horas. Ouvíamos o canto dos pássaros na mata. Era lindo demais! Ela ia me falando o nome deles e contando histórias dos bichos da floresta: de onça, de cobra, falava até dos seres encantados como Curupira, o Mapinguari e outros seres do nosso folclore. Também contava histórias de reis, rainhas e bruxas. Eu ouvia com muito interesse e nem tinha medo. Aliás, eu só tinha medo mesmo era quando meu pai conversando com seus amigos, falava numa tal de reforma agrária, ele dizia que quando ela viesse iria vir destruindo tudo!  Fazendo rico perder suas terras e que iam fazer de tudo para que  ela nunca viesse!!! Então, imaginava essa reforma como um monstro enorme e muito feio e que tinha um grande furor! Quando eu escutava falar dela, custava a dormir,  já que meu pai falava muito sobre isso, pois sonhava em ter um pedacinho de terra seu mesmo,  para plantar e para colher.  Nessas noites,  eu me cobria pé e cabeça com medo da reforma agrária vir me pegar! É que a criança leva ao pé da letra, tudo o que o adulto fala e fantasia o que ouve. Por isso,  não podemos conversar coisas sérias na frente de crianças, pois nunca se sabe o que ela irá imaginar! O tempo passou, eu cresci, meu pai faleceu e essa tal reforma agrária nunca veio!

      Ao chegar na colônia dos meus tios, minha avó voltava pra casa e eu ficava lá, para no outro dia ir com meus primos à escola. Eram vários primos e primas. Quando íamos dormir eram muitas as  histórias que ouvia:  dos acontecimentos do dia, das peraltices, das caçadas, das pescarias. Então, até a hora de dormir realmente  era uma risadagem só!

   Antes de amanhecer o dia, no primeiro canto do galo já estávamos de pé. Tomávamos o quebra jejum (café, para nós da cidade) com leite tirado da vaca. Minhas primas arrumavam nossas lancheiras, com farofas de ovos, de carne, de jabá. Tudo ia em latas de leite, essas eram as nossas lancheiras! Saíamos ainda escur, pois a escola era longe! Pegávamos a estrada e íamos andando, correndo, cantando e conversando. Quando chegávamos à escola, sempre atrasados, o sol já esquentando o lombo, como dizia meu pai, a professora já estava dando tarefas,  mas éramos bem recebidos​ por conta da distância em que morávamos. Foi nessa escola que recebi as primeiras lições e estudei o ABC,  ainda na velha carta de ABC, tão temida por muitos.Na turma,  tinha alunos de várias idades, era uma turma mista, alguns estudavam as letras enquanto os maiores faziam contas. A  professora polivalente (COITADA!),  tinha que dar conta de vários conteúdos, contextos e disciplinas ao mesmo tempo. Hoje ainda existem esse tipo de escola pelas colônias e zonas rurais do estado.

      Na hora do lanche comíamos animadamente nossas farofas e as onze horas retornávamos o caminho de volta pra casa. E até hoje recordo uma das brincadeiras que fazíamos nesse caminho de volta,  que era bater numa plantinha que tinha na beira de estrada e dizer: Maria, fecha a porta que teu pai morreu! Surpresa mesmo fiquei, na primeira vez que vi a planta se fechar todinha,  diante dos meus olhos curiosos. Então pensei: as plantas são vivas de verdade, elas se mechem! E os carrapichos? Era uma festa! Brincávamos da manja e correndo, os bichinhos grudavam nas nossas roupas e até nos nossos cabelos. Mas para mim  tudo era festa, fazia até desenhos, com aquelas bolinhas que havia trago na roupa.
      Chegava em casa já quase no meio da tarde. E pouco tempo depois,  já era hora de voltar de novo com minha avó,  no caminho da mata para a casa de meus tios esperar pela aula do outro dia. 

      Para minha vida de criança essa foi uma das melhores aventuras que vivi na minha infância. 
ASSINA MARIA


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