A Coleta e o Coleta
Ao canto do galo...
Sineta de trabalho,
ponteiro de relógio!
Ainda é madrugada,
no seringal.
Mas já é hora de trabalho,
Em Belo Jardim, Seringal.
Longe...
Muito longe ...
No oco do mundo
Terra de brabos.
Canto de solidão.
Mata virgem
mistério... silêncio...
Caixa de segredos.
Ninho de selvagens...
Feras famintas
ou raivosas
passos miúdos
entoa uma canção!
Ai...
Picada de Jararacuçu...
Dor! ... veneno...
Driblou
a cara da morte...
Mais uma vez!
Seringueiro...
Criatura exótica
da mata, o mateiro...
Costume de bicho do mato.
Cumprindo
seu destino
tempo de solidão.
Na estrada de leite
ou de água..
Colhe o leite, o Coleta.
Levando para casa
muita esperança...
Sua única riqueza!
Ao meu pai Raimundo, vulgo Coleta, Ex- Seringueiro do Acre,
lugar de gente valente, corajosa e esperançosa!
Bjokas no coração!