quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

HIPERATIVIDADE, UM TALENTO MUITAS VEZES DESPERDIÇADO!

          HIPERATIVIDADE - TDAH
       Por Maze Oliver

Texto revisado em abril de 2020.


O Transtorno de Déficit de Atenção, mente TDAH ou como é popularmente conhecido Hiperatividade é caracterizado pela instabilidade na atenção, impulsividade e hiperatividade física ou apenas mental. Na família e na escola, uma criança TDAH não diagnosticada pode ser mal interpretada e ter seus talentos naturais tolhidos ou mesmos desperdiçados.

       Se manifesta ainda na infância, em ambos os sexos, perdurando na maioria dos casos  na vida adulta. Trata-se de um funcionamento mental acelerado, inquieto. Porém,  de grande potencial criativo. Apresenta dificuldade de concentração (desatenção) ou hiper concentração (concentração exagerada), principalmente em atividades de interesse espontâneo (jogos, esportes, atividades artísticas); comportamento impulsivo, ou seja, age depois pensa e velocidade na atividade física (agitação) ou mental. Esses sintomas determinam a mente TDAH, necessitando de diagnóstico precoce e recondução que lhes possibilitem o aproveitamento de suas habilidades naturais.

     Atenção! A hiperatividade física nem sempre se faz presente, o que dificulta muitas vezes o diagnóstico. Nesse caso, a dispersão pode ser o fator preponderante para confirmar a presença de hiperatividade mental,  principalmente se houver casos de hiperativos na família ou se a gravidez da mãe passou por traumas neonatais. Esquecimentos frequentes, impulsos, desorganização,  dispersão (alheiamento, isolamento, distração) e   hiperconcentração (é capaz de ficar o dia inteiro fazendo a mesma coisa) estão sempre presentes no comportamento da criança com o transtorno. Ao observar os citados sintomas procurar imediatamente um especialista para acompanhar o desenvolvimento da criança.

     As crianças TDAH sofrem psicologicamente na família e na escola.  Seu comportamento impulsivo, elétrico ou disperso não é  compreendido. Recebem rótulos desagradáveis (desmioladas, da lua, cri crí, etc).  São consideradas verdadeiras pestinhas, tanto por outras crianças como pelos adultos.

      O cuidado é necessário, porque não acompanhada a criança pode desenvolver outros problemas em consequência da dificuldade na interação social. Na escola, geralmente apresentam problemas de aprendizagem. Pode ser também que a criança possua um outro transtorno,  de sintomas muito parecidos. Por isso o diagnóstico é fundamental.   Sem ajuda, serão adultos com problema de autoestima, confusos, desorganizados e perdidos em seu turbilhão de pensamentos incessantes. Muitos podem numa fuga, recorrer ao uso de drogas na tentativa de fugir de seus conflitos internos, o que significará grandes prejuízos ao seu futuro profissional e pessoal. Porém, o diagnóstico (que se confirma após os sete anos de idade)  só pode ser feito por um profissional habilitado, pois há casos que apresentam apenas  traços de hiperatividade, não sendo hiperativas de fato. Outros casos  melhoram consideravelmente até a  adolescência.


         Há casos também,  em que a criança apresenta alguns dos  sintomas por falta de orientação adequada ou  limites,  não tendo nada a ver com o transtorno, sendo apenas peraltices.


      Confirmado o diagnóstico,  alguns profissionais já utilizam o uso de remédios para melhorar o dia a dia da criança TDAH, muito embora alguns já a  considerem mais como um funcionamento cerebral diferenciado do que propriamente doença, sendo o uso do remédio opcional, dependendo do tipo e grau  de hiperatividade.

       Mas, de tudo o que foi dito existe um lado muito bom que pode ser aproveitado! O grande potencial criativo da inteligente mente TDAH. Muitos artistas, intelectuais, cientistas ou mesmo gênios antigos ou da  atualidade,  foram ou são hiperativos  que desenvolveram seus dons com dificuldade, lutando contra o preconceito e a discriminação social.



       Descobrir os talentos de uma criança hiperativa e apoiá-la, torna-se fundamental para o desenvolvimento do seu potencial inteligente e criador, uma de suas características mais marcantes. Amenizando assim as angústias e o sofrimento para a criança e sua família que muitas vezes se sente aturdida, sem saber como lidar com essa realidade. Canalizar os impulsos  dos hiperativos para algo produtivo poderá contribuir para a busca da sua  felicidade e a realização pessoal.

                                                                                         BJOKAS NO CORAÇÃO!

Maze Oliver

Pedagoga e Orientadora Educacional formada na UFAC
Membro fundadora da Sociedade Literária Acreana (SLA)
Membro fundadora da Federação de Letras e Artes do Estado do Acre (FALA-AC)
Imortal da Academia Acreana de Letras (AAL)
Membro da Academia Internacional de Cultura (RJ)

      

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

LEITURA E ESCRITA, INSTRUMENTO DE CIDADANIA!

  Texto republicado

 O processo de aquisição da leitura e da escrita  na escola se constitui como importante instrumento de acesso à cidadania das crianças da periferia. Muitas vezes,  a única oportunidade de transposição de classe social.

   A experiência nos confere afirmar que as crianças mais pobres enfrentam mais dificuldades para o aprendizado da leitura e da escrita na escola. Um dos motivos é a falta de acesso ao mundo letrado que  atrasa o processo de alfabetização da criança. Quem chega com mais experiência,  sai na frente!   Os pais trabalham o dia inteiro ou não possuem a cultura da leitura. As famílias além de não terem o hábito de ler, não dispõem de livros, revistas, jornais ou outras fontes de leitura. 

   Muitas vezes, a  fonte privilegiada de informação é a televisão, com conteúdo não selecionado,  que atrapalha mais do que ajuda na educação das crianças.

   Assim sendo, a escola acaba por ser  a oportunidade real de contato com um dos códigos de comunicação, a leitura e a escrita, importante aquisição para o exercício da cidadania na vida adulta. Pois as pessoas instrumentalizadas, pelo código escrito, poderão participar de forma ativa da vida política, social e cultural de sua comunidade, cidade ou país. 
Alunos do Ensino Fundamental do Acre
      
        








   



    Porém,  decifrar  o código somente,  não basta,  precisamos ensinar a  ler as entrelinhas,  o conteúdo que muitas vezes se encontra oculto nos textos. Uma simples historinha ensina muitas vezes de forma não evidente,valores (inclusive morais), princípios ou conceitos, carregados de preconceitos. A escola precisa estar atenta ao que está lendo para suas crianças. Histórias, músicas e  poemas  precisam ser analisados do ponto de vista filosófico, psicológico e social antes de irem para as rotinas didáticas, se é que queremos fazer uma educação diferente. Se não puder trocar,  pode-se fazer a discussão crítica dos textos, com os alunos.


   Uma boa aquisição da leitura e da escrita pode mudar a vida de uma criança. Gostar de ler e de escrever pode ser um refúgio ou uma forma de conhecer o mundo,  sem  mesmo sair da pobreza em que vivem. O mundo fantástico dos variados gêneros textuais, através  das histórias, lendas, contos, crônicas, notícias,  e informações variadas  enfeitarão a vida dessas crianças. Darão fantasia e entusiasmo, além de conhecimento vários, com muitos momentos inesquecíveis de felicidade.  Podendo se constituir no futuro,  um dos  meios de melhorar a qualidade de vida  desses alunos,  através da ascensão social, de uma  forma muito digna.


   Mas, para que isso se efetue na prática, nós educadores precisamos estudar mais, encontrar novas formas e caminhos para fazer as crianças gostarem de aprender. Evitar as formas mecânicas de ensinar, dar um sentido afetivo a leitura e a escrita na escola. É necessário embarcar na fantasia das crianças. "Pertencer" a esse mundo infantil, "ser criança",  junto com elas, por algumas horas do dia. Desprender-se um pouco da hierarquia de ser professor. 

    Rosa Maria  Torres educadora, linguista, jornalista, ativista social e consultora internacional sobre educação, escreveu em seu blog:

http://otra-educacion.blogspot.com.br/2014/12/leer-por-el-gusto-de-leer-la-clave.html

 "Não se trata apenas de ensinar e aprender a ler. Este é ler. E ler com facilidade. 
"Este não é apenas para ler. É também sobre a escrita. E eu faço, também, de bom grado. 
"Para ensinar a ler não só tem que saber ler e aprender a ensinar a ler; você tem que ler.  
"Para ensinar a escrever não só tem que saber escrever e saber ensinar a escrever; você deve escrever.
"Este não é apenas ensinar a ler, mas motivar para a leitura e para criar condições para a leitura independente. "

   E como os pais devem ser parceiros no  processo educativo,  precisamos convidá-los a participar.  Tenho dito a eles: leiam  histórias para seus filhos; perguntem como foi o dia  na escola; brinquem de escola com eles; peçam que sejam seu professor por alguns minutos; tirem pelo menos meia ou uma hora diária  para isso. Você não estará perdendo tempo,  mas ajudando seu filho para a vida toda com esse gesto. 

 Devemos ajudar os pais a compreenderem sua importante tarefa nessa jornada. Mas para isso, é importante também o professor gostar de ler e de escrever,  para poder incentivar os pais e os seus alunos nas atividades do processo de aquisição da leitura e da escrita e principalmente, no gosto por fazê-lo.

Fácil?! Não! Para a escola pública da periferia é um grande desafio. Existem também outros fatores que também contribuem para o fracasso dessa competência. Mas aí já seria um outro texto!

As crianças agradecem!
   No entanto,  se houver esforço, saberemos que nossas vidas  não foram em vão, que viemos aqui contribuir para um mundo melhor e mais justo.




                            Maze Oliver   /   Bjokas no coração!

      

sexta-feira, 25 de maio de 2018

O QUE É ISSO QUE EU ESTOU SENTINDO?



DIAS MELANCÓLICOS

      Nesses últimos dias não tenho andado muito bem. Filhos criados, casados, todos em suas casas. Tenho sentido um pouco de solidão. Olhei por várias vezes as fotografias na parede. Tudo me pareceu tão longe... Os tempos vividos, as emoções sentidas em cada sorriso infantil, em cada passeio. Tenho me perguntado: porque as pessoas casam e tem que ir para longe,  morar em outras casas?
    Qual o motivo de não se construir casas grandes, imensas e ficarem todos juntos? Vivendo as alegrias e o dia a dia,  grudadinhos?
     Também não sei por qual razão sinto isso. Talvez tenha herdado a depressão de minha mãe...Ou seja da idade, da saúde, da situação do país... Enfim pode ser tudo junto.
   É... O meu país não anda nada bem. Crise política! Após o impeachment da presidenta eleita,  que um grande grupo brasileiro chama de golpe, tudo virou às avessas! Temos até greve dos caminhoneiros! A gasolina subindo duas vezes por semana! Um caos! Estamos em 2018. Brasil é uma verdadeira icognita. Acredito que golpe mesmo quem levou foi o povo brasileiro!
     Mas...Eu estava falando era sobre mim. Então, faz um tempo que ando sentindo-me assim: melancólica, triste. Já não leio mais como antes. Nem faço minhas tarefas com animo e alegria; sobre mim se fez um torpor, uma vontade de não fazer nada alguma.  Talvez seja emocional, pois de vez em quando tenho pequenos conflitos familiares, mas quem não os tem? Gostaria de viver sempre em paz! Puxa! Isso não é possível? E os meus netos? Sinto falta deles! Quando estão aqui,  a casa tem mais vida ou eu não tenho tempo para pensar? Afinal estão sempre nos solicitando, interpelando, perguntando... Com os netos tudo é mais colorido, vivo!
       Bem, mas o que é isso mesmo que eu estou sentindo? Será o início de uma Depressão?


Conheça outras obras da autora: 



http://umpensamentovirtual.com.br (este blog)
maze.pag.zip.net
http://clubedeautores.com.br/authors/157692
Face book : /maze.oliveira2
CONTATOS: Email:mazeoliver1@gmail.com


 Bjokas no coração, volte outras vezes!
Maze Oliver